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atlas de bolso

travel blog

Sex | 16.11.18

Top-5 de Toulouse

 

A cidade do sul de França tem uma oferta muito diversificada, sobretudo se alinharem na rota dos museus, com destaque para o do Airbus e o do espaço, e não há forma de escapar à beleza de um sítio que ainda não entrou na lista dos locais mais turísticos do país mas que não fica muito atrás de outros nomes mais famosos. Aqui fica o nosso top-5.

 

1. As ruas “rosa” de Toulouse

Vista junto ao rio

É conhecida por cidade rosa por alguma razão. A cor do tijolo dá-lhe uma aura especial, sobretudo quando os raios de sol parecem incidir no ângulo perfeito. Como o centro da cidade não é muito grande, não há melhor sugestão do que recarregar bem as baterias durante a noite e passar o dia a calcorrear as ruas, absorvendo a cultura, a arquitetura e os traços singulares de cada espaço. O passeio junto ao rio, sobretudo na altura do pôr-do-sol, é imperdível.

 

2. Uma caminhada pelos Canais du Midi e de Brienne

Canal de Brienne

Visitar Toulouse no Outono foi um bónus especial que tornou este passeio – longo – ainda mais bonito. É também uma forma de escapar a espaços mais movimentados e aproveitar para explorar a simbiose com a natureza. As árvores, com folhas outonais, os canais e as pontes compõem uma harmonia perfeita impossível de não apreciar.

 

3. Um passeio pelo Jardim Botânico japonês

Lago do Jardim Botânico Japonês

É um paraíso escondido no meio de um parque. A influência japonesa é óbvia – mal seria se não fosse – e tem algumas atrações que tornam aquele pequeno local ainda mais especial. Da ponte vermelha à cascata, passando pelo lago com peixes do tamanho de uma panela de cozido à portuguesa, também há espaço para descansar num banco e aproveitar a vista.

 

4. Fazer people watching na Praça do Capitólio

Rui a fazer people watching

É o coração da cidade. A praça é enorme e está virada para o edifício do Capitólio. Na fachada principal, há pequenos bancos de pedra onde nos podemos sentar e tomar o pulso à azáfama da praça, entre os turistas perdidos e os determinados, e os locais sempre apressados.

 

5. Um jogo de râguebi do Stade Toulousain

Uma noite de frio e chuva

É uma das melhores equipas de França e um dos motivos de orgulho da cidade. Há shuttles gratuitos que fazem a ligação entre a estação de metro de Barrière de Paris e os arredores do estádio e a experiência vale a pena. O estádio está feito à medida para o número de adeptos que costuma levar e o ambiente é especial.

Qua | 14.11.18

Guia para um fim-de-semana alargado em Toulouse

 

Entre Lisboa e Toulouse há voos diretos e é possível estar despachado do aeroporto em poucos minutos; nós, depois das duas da tarde, estávamos a caminho do centro e pudemos aproveitar o fim-de-semana como se estivéssemos em Portugal e tivéssemos dormido até mais tarde.


O transporte até ao centro da cidade é fácil – e barato – através de transportes públicos e depois de despachar o check-in no hotel (a cidade não é muito grande por isso o difícil é reservar um sítio que não esteja bem localizado) ainda há tempo para dar uma primeira volta pela cidade até chegar o pôr-do-sol.

Toulouse e o Garone

Esta era a nossa maior prioridade. Tínhamos vindo a acompanhar a evolução meteorológica para estes dias (fim-de-semana alargado do 5 de outubro) e sabíamos que até ao final da tarde de sábado o tempo ia estar muito bom. Aproveitar o pôr-do-sol junto ao rio logo na sexta-feira tornou-se o nosso maior objetivo.

 

Dia 1, em busca do pôr-do-sol


Andar em Toulouse é muito fácil. Os transportes são fáceis de entender mas quem preferir andar a pé também não vai morrer por isso. Ainda assim, a melhor alternativa (mais barata, mais cómoda e menos cansativa) é capaz de ser a rede de bicicletas que está disponível um pouco por toda a cidade. Nós não a utilizámos – porque há quem não consiga fazer curvas para a esquerda sem cair – mas percebemos o potencial fantástico de ter esta alternativa numa cidade como Toulouse.

 

O caminho do hotel até ao rio Garone foi quase sempre em linha reta mas aproveitámos para tomar o pulso à cidade. Pelas pequenas e velhas ruas do centro, fomos parar à Basílica de Saint-Sernin. Estava em obras – o que tornou a passagem um pouco menos bonita – mas ainda assim é interessante o suficiente para contemplar de vários ângulos. A forma como os vários componentes da construção se sobrepõem parece promover uma constante metamorfose da paisagem, como se diante de nós estivesse uma basílica em sucessiva mudança.

Basílica Saint-Sernin

Dali, seguimos para o centro da parte histórica: a Praça do Capitólio. O edifício é imponente, ajudado pela dimensão da praça que tem à frente, e assume-se como um lugar perfeito para people watching. Há várias esplanadas para nos sentarmos a ver a azáfama da cidade, bem como restaurantes de vários tipos, desde cadeias de fast-food como a McDonald’s a soluções mais locais.

 

Com o tempo a passar e o sol cada vez mais baixo, o caminho fez-se em direção ao Garone. A ideia era simples: chegar às margens do rio junto ao parque La Daurade, um local onde os jovens se juntam para conviver, atravessar a Pont Neuf e desfrutar da vista do outro lado com os raios de sol a embater no famoso tijolo rosa pelo qual Toulouse é famosa.

Pôr do sol em Toulouse

Fizemo-lo de outro parque, o Prairie des Filtres, no meio de crianças, jovens e adultos que quiseram aproveitar o final de sexta-feira para descontrair. Cada vez mais longe do hotel e com o objetivo alcançado, regressámos pela Pont Saint-Michel, a sul da Pont Neuf, e tivemos, uma vez mais, uma vista fantástica sobre uma inesquecível Toulouse outonal.

 

Dia 2, da arte urbana ao desporto passando pela natureza


A Sarah costuma ser a líder dos planeamentos em viagens. Em Toulouse, foi diferente. Houve pouco tempo de descanso desde a viagem aos Estados Unidos e o trabalho em Lisboa não deu margem para grandes tempos livres. Por isso, coube-me a mim decidir o que fazer naquele sábado. Ao contrário dela, não sou tão exaustivo na pesquisa e acabei por decidir o que fazer na noite de sexta-feira, mesmo antes de adormecer.

 

Depois de encontrar um mapa com os principais destaques de grafitis em Toulouse, escolhi o exemplo que me parecia mais agradável nas proximidades do hotel. Foi assim que começámos o dia: numa zona mais residencial, sem um turista à espreita, e com a Sarah sem saber minimamente o que a esperava.

Grafitti em Toulouse

A natureza seria o destino seguinte. Reencontrámos o caminho para o Canal do Midi, que separa a zona nuclear de Toulouse do resto da cidade, e seguimos por entre as árvores com folhas de cores outonais até ao Jardim Botânico Japonês. Sabemos que é uma tendência bastante comum nas cidades francesas, mas não nos deixou de surpreender aquele espaço com influência tão asiática no meio de Toulouse.

 

Já com bastantes quilómetros nas pernas, descansámos um pouco, antes de regressar ao Canal du Midi e seguir na direção do Garone até encontrarmos um outro canal: o de Brienne. As vistas, uma vez mais, foram fantásticas. Sim, é preciso andar muito, mas fazer este caminho em outubro, com bom tempo e com as folhas em flagrante metamorfose cromática é uma experiência perfeita. Mesmo com a Sarah a morrer de fome.

Canal du Midi

A prioridade passou a ser o almoço – já tardio – antes de voltarmos a atravessar o rio para o outro lado, para explorar a espetacular vista da Passerelle de la Viguerie e do Parque Jardim Raymond VI, junto a Les Abbatoirs.

 

Por esta altura, havia apenas mais um item na lista para sábado: ver um jogo de râguebi do State Toulousain. Não chovia e o tempo ainda estava agradável, mas já se começava a perceber que a mudança no céu estava em andamento. O cansaço e a necessidade de reequipar no hotel para o frio e chuva motivou o regresso. Descansámos um pouco – afinal, tínhamos andado vários quilómetros e não foi assim há tanto tempo que a Sarah foi operada à anca – e ganhámos coragem para o novo desafio.

 

Dia 3, uma Toulouse com outras cores


A agenda para o último dia foi a mais difícil de escolher. As previsões davam chuva torrencial para grande parte do dia e só tínhamos o voo de regresso já de noite.

Capitólio de Toulouse

As opções são muitas: a sul há a Cité de L’Espace, um parque temático dedicado à conquista espacial. Junto ao aeroporto, há o Museu da Aeroscopia, sede da Airbus e dedicado aos aviões.Noutras ocasiões, esta segunda seria a nossa escolha mas acabámos por preferir ficar no centro da cidade, aproveitando para a conhecer com outras cores.

 

Sim, esteve mau tempo. Sim, esteve a chover, mas ficamos sempre com a sensação de que conhecemos melhor uma cidade quando a conseguimos ver e absorver não só em dias de sol mas também no meio da chuva. Explorámos melhor as pequenas ruas junto à Praça do Capitólio, entrámos no edifício, passeámos junto ao rio e comemos: crepes salgados, crepes doces, gaufres.

 

E quando choveu mais do que o que era suposto e suportável para andar na rua? Bom, aí decidimos inovar e escolhemos ir ao cinema (optando cautelosamente por um filme norte-americano não dobrado). O timing pareceu perfeito: entrámos no edifício a chover torrencialmente e, quando saímos, não voltámos a ver uma pinga a cair. A sorte esteve do nosso lado.

Ruas de Toulouse

Seg | 12.11.18

Um jogo de râguebi do Top-14 em França

Formação ordenada durante o jogo

Já vos contámos como acabámos por arranjar uma viagem para Toulouse. Claro que, pouco depois, a dúvida era o que podíamos encaixar: sendo o Stade Toulousain uma das maiores potências históricas do râguebi francês, era uma escolha natural.

 

As datas para o Top-14, o campeonato francês, só foram divulgadas mais tarde, por isso o plano inicial não contemplou a ida ao estádio. Quando finalmente soubemos que o dia 6 teria um Stade-Agen, a ideia começou a impregnar-se na nossa mente, mas ainda sem certezas. Afinal, já seria outubro, o jogo era quase às nove da noite (e o estádio um bocado fora de mão) e ainda tínhamos a incógnita do preço dos bilhetes.

 

Só uma semana antes da partida é que decidimos avançar – para variar, comprámos bilhete para os lugares mais baratos do estádio (15 euros cada um). O plano para sábado à noite estava traçado.

Estádio estava bem composto

Nesta coisa dos jogos ao ar livre, uma coisa que tem muita influência na experiência é o tempo. O tempo que demora, claro, mas sobretudo o tempo que está. E a previsão para Toulouse era de sol radioso e calor para sexta-feira e sábado… até à hora do jogo. Tendo já tido uma experiência desagradável com esses dias em que a temperatura desce a pique (que ninguém saiba que saímos de um jogo dos Cubs antes do final por causa do frio!), decidimos precaver-nos.

 

Depois de uma tarde passada de t-shirt, passámos pelo hotel para nos apetrechar com pulloveres, cachecóis e gorros. A temperatura descia e as nuvens estavam carregadas. Chegámos ao estádio e, como já esperávamos, parecíamos aliens no meio de uma multidão de calções e camisolas finas. Como habitual, demos o nosso passeio pelas imediações do estádio, e demos com um pormenor curioso: um monumento de homenagem aos jogadores do clube que morreram a combater por França.

Monumento de homenagem

Ainda não chovia, mas não esperámos mais do que 20 minutos: o que começou com uma chuva fraquinha não demorou a transformar-se numa chuvada de bátegas grossas, que obrigou todos os que, como nós, estavam nos lugares dos pouco ricos (fora do alcance da cobertura) a fugir para se abrigar.

 

O Rui, porque sabe destas coisas, teve logo a genial ideia de ver que lugares ainda estavam à venda por debaixo da cobertura, nos lugares acima de nós: a hora inicial do jogo aproximava-se e era pouco provável que fossem ocupados. Não foi o único: ao nosso lado, outro casal fazia exatamente o mesmo. Assim que vimos uma fila de lugares supostamente vazia num dos topos do estádio, soubemos o nosso destino.

 

Abrigados da chuva, não morremos de frio. E ainda bem, porque o jogo não seria capaz de aquecer ninguém. Como ouvimos no final “este foi daqueles jogos com resultado à antiga”: 10-0 para o Stade Toulousain. Mais do que o resultado, foi uma exibição que pecou pela falta de entusiasmo – nem o ensaio de Sebastien Bezy conseguiu trazer grande ânimo às bancadas, que recorriam à cerveja, vendida a jarro, para animar. As tentativas (dezenas?) de fazer a hola mexicana não pareciam pegar nem por nada, e um dos maiores divertimentos daquela hora e meia de jogo foi vaiar os setores do estádio onde a onda acabava. Quando finalmente a primeira deu a volta ao estádio, a multidão irrompeu em palmas - se fosse jogador, ter-me-ia perguntado que raio de passava ali, já que em campo não havia nada a acontecer.

Alinhamento durante o jogo

Sem pontos na segunda parte, o jogo ficou cada vez mais luta na lama e menos râguebi. O Stade teve uma última boa oportunidade aos 72 minutos, mas a bola parecia não colar nas mãos de ninguém. Fim do jogo, é partir para a próxima. Pelo menos já podemos dizer que vimos um jogo do Top-14.

 

(Mal sabíamos nós que podíamos ter feito jornada dupla: o Castres recebeu o Stade Français no domingo, a hora e meia de Toulouse. Tivemos a consolação de ver os gigantes a passar por nós no aeroporto, quando esperávamos o nosso voo.)

Qui | 08.11.18

Toulouse como solução para o aborrecimento

Vista sobre Toulouse

Planear viagens tem tanto de preparação como de improviso. Quando começámos, em 2013, tínhamos uma lista de cidades europeias que queríamos mesmo visitar mas não demorou muito até começarmos a ceder ao improviso do preço imbatível que não podemos não aproveitar.

 

De meses a meses, sentamo-nos à mesa, cada um com uma caneta e uma folha de papel para estabelecer os nossos top-15 individuais. Depois de escrever, atribuímos um ranking acumulado às nossas escolhas: se uma cidade estiver no primeiro lugar dos dois, tem dois pontos e será, à partida, o nosso maior desejo de viagem. E por aí fora.

 

Pode ser um exercício bonito na teoria mas raramente passa para a prática. Cada vez mais as viagens que fazemos, sobretudo as escapadelas europeias, são fruto do preço imbatível que encontramos. A última delas foi Toulouse (em outubro de 2018) e nasceu de uma tarde de aborrecimento em pleno Mundial-2018.

 

Portugal podia estar a jogar – ia ser eliminado pelo Uruguai – mas a Sarah não estava muito ligada à televisão. Estava entediada e decidiu procurar bons preços de viagem. Algures a meio do jogo, virou-se para mim e perguntou: «Queres ir a Toulouse aproveitar o feriado do 5 de outubro?». Disse-lhe que sim. Nunca digo que não a uma viagem. A ideia matutou durante alguns minutos e recebemos o e-mail de confirmação da compra nove minutos depois de Portugal ter perdido o jogo.

 

Não tinha – nem ela – qualquer expetativa sobre Toulouse. Curiosamente, França tem sido um chamariz de viagens, entre obrigatórias como Paris (seja sozinhos ou para visitar família e amigos), para visitar família em Lille ou para pequenas escapadelas improvisadas em Estrasburgo e Lyon.

 

Pensámos que Toulouse seria semelhante. Pessoalmente, achei mesmo que estaria aquém das restantes. Estava enganado, muito enganado. O tempo durante aqueles três dias – apesar de uns períodos chuvosos no domingo – ajudou a descobrir uma cidade pequena o suficiente para se fazer a pé e mais do que bonita para guardar uma recordação especial.

Passeios por Toulouse

E sim, também houve desporto envolvido. Vi desde muito cedo que a equipa de futebol jogava em casa logo no 5 de outubro mas nunca estive entusiasmadíssimo para ir ao estádio. Por outro lado, só mais em cima da viagem é que decidimos confirmar se a equipa de râguebi, presente no conceituado Top-14 (primeira divisão do campeonato francês), também jogava nesse dia.

 

Foi a cereja no topo de um bolo cozinhado à custa do aborrecimento da Sarah. E compensou. Porque nunca há razões más para decidir fazer uma viagem (bom, até pode haver, mas essa frase não ficaria tão bem a terminar o texto).

 

 

Voo (ida e volta, por pessoa): 48,65 euros, Ryanair
Alojamento (por noite, para duas pessoas): 43,56 euros

Sex | 02.11.18

Ir ver um jogo de basebol em Miami... porque sim

O regresso a Miami, para o último fim-de-semana antes de voltar a casa, estava marcado para as quatro da tarde, mas o voo sofreu um ligeiro atraso. Depois disso, ainda aproveitámos a passagem pelo aeroporto para procurar um óculos escuros perdidos (ou roubados) mais de uma semana antes.

 

Resultado? Só já perto das seis da tarde nos instalámos no nosso hotel, na zona de Miami Beach. Por que é que isso é relevante? O jogo dos Marlins começava às sete e dez, e o estádio era do outro lado da cidade, a 15 quilómetros de onde estávamos.

 

Desde a manhã que ouvia o Rui a dizer "podíamos ir ver os Marlins... juntávamos mais um jogo à viagem..." mas não estava convencida. Ver que a ida até lá demorava uma hora de autocarro deixava-me ainda mais de pé atrás. Mas a verdade é que o sol começava a pôr-se, era sexta-feira à noite e não tínhamos planos. Acedi.

Marlins Park

Foi de Lyft que fizemos a viagem até ao Marlins Park. Falámos de futebol americano (apesar de parecermos mais conhecedores da coisa que o nosso interlocutor), de estádios desportivos, de Trump, de Cuba e de basebol (afinal, umas semanas antes o condutor tinha levado um jogador dos Marlins ao estádio sem se aperceber) durante a viagem e, em menos de nada, estávamos à porta.

 

Pela primeira vez, passei pela experiência de chegar a um jogo para o qual não tinha bilhetes. Ir até uma bilheteira nos Estados Unidos, onde é que já se viu?! E escolher os lugares ali com um mapa de papel, em vez de ver no ecrã do computador, ou do telemóvel, onde é que nos queríamos sentar.

 

O jogo era contra os Cincinnati Reds, uma equipa que também não estava - à semelhança dos Marlins - com um registo genial. Por isso o estádio estava pouco composto, os bilhetes eram baratos e os lugares a que tivemos direito bastante bons. Entrámos, direitos à banca que vendia hambúrgueres e cachorros e ainda estávamos em pé a servir-nos quando se ouviu o hino americano. Para nós, pessoas de chegar ao estádio quando as portas abrem, foi preciso poder de encaixe para sobreviver.

 

Comparado com o jogo a que tínhamos assistido no dia anterior, em Atlanta, pareceu que estávamos a ver tudo em câmara rápida. Strike atrás de strike, eliminação seguida de eliminação, tudo parecia avançar a um passo muito mais rápido do que é habitual no basebol. Os pontos, esses, é que nem vê-los. Aliás, tenho para mim que este jogo só não bateu um recorde de velocidade porque o nulo se manteve até ao nono inning, e foi preciso ir a prolongamento.

 

Foi no 10.º inning que os Marlins decidiram fazer o gosto aos espectadores e, apesar de não conseguirem o home run, fizeram o run que permitiu encerrar a partida logo ali. Nessa altura, até nos esquecemos do rapaz que passou o jogo inteiro a pontapear-nos as costas e gritar-nos ao ouvido, numa mistura de inglês e espanhol.

Vitória da equipa da casa

O regresso, de Uber partilhado, trouxe a maior surpresa da noite. Tivemos de esperar um pouco pelo nosso companheiro de viagem e, quando a conversa começou, seguiu os mesmos caminhos da viagem de ida. Explicámos a dimensão do nosso fanatismo por desporto, falámos da ida ao jogo de despedida de Kobe Bryant e, de repente, um desafio: «Bom, se foram ver esse jogo de despedida, também têm de vir ver o do Dwyane Wade». Rimo-nos, ainda antes de nos apercebermos o que vinha aí. «Tomem o meu cartão, trabalho para os Miami Heat e sou responsável pelos bilhetes de época. Se vieram, trato muito bem de vocês.» 

 

O dia seguinte foi de descanso, e passado na praia - apesar de esperarmos um mar azul turquesa e límpido (se calhar andámos a ver fotos das Bahamas, enganados), demos com um mar que parecia o da Costa da Caparica, mas a 29ºC. Não me estou a queixar. Acho que todas as férias deviam acabar assim: a ver peixes-espada em miniatura a passar ao pé das nossas pernas depois de vermos um jogo com peixes-espada de peluche pendurados em cada esquina.