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atlas de bolso

travel blog

Qui | 16.05.19

Top-5 de Roma

Fazer um "best of" de uma cidade onde só se esteve durante um fim-de-semana é duro: afinal, não houve muito tempo para explorar aqueles recantos fora dos guias tradicionais. Mesmo assim, decidimos arriscar num top para Roma, com as cinco coisas que não devem perder na cidade.

 

1. Apaixonar-se pela cidade na Passeggiata del Gianicolo

Uma das vistas da Passeggiata del Gianicolo

Não há volta a dar: se só fizerem uma coisa em Roma, que seja calçar uns bons sapatos e subir pela Passeggiata del Gianicolo até aos miradouros que, de cima, nos fazem apreciar toda a beleza da cidade. Se começarem o passeio pelo lado norte, a primeira paragem é no Faro del Gianicolo, para umas palhaçadas; a Terraza que vem depois é onde se junta mais gente.

 

2. Um passeio por Trastevere

Trastevere

A zona de Trastevere é das mais bonitas da capital italiana. Considerada uma das zonas "modernas" da cidade - apesar de já aparentar alguma idade -, é o sítio ideal para descansar os pés e os olhos entre visitas a monumentos. Tem também alguns dos melhores sítios para comer em Roma.

 

3. Comer um crepe (ou um gelado) na Piazza Navona

Piazza Navona

É um cliché, mas nós não fugimos aos clichés só porque sim. A Piazza Navona é *o* sítio para fazer people watching em Roma, e quando se junta isso a um crepe com Nutella ou um gelado fresquinho, o que há para não gostar?

 

4. Fazer exercício na escadaria da Piazza di Spagna

Fazer exercício... ou descansar nos degraus!

(E quem diz "fazer exercício", também pode dizer "sentar-se nos degraus".) É verdade que está sempre a abarrotar de turistas, mas e então? O topo da escadaria da Piazza di Spagna tem uma vista privilegiada sobre Roma, e podem juntar a isso um exercício bem necessário depois de um fim-de-semana a comer à italiana. Na primavera, o florido que embeleza toda a zona dá-lhe um encanto especial.

 

5. Uma visita ao Coliseu

Coliseu de Roma

Não há como fugir ao fugir ao Coliseu - o maior de todos, mas ainda mais imponente se pensarmos que estamos numa estrutura com praticamente 2000 anos. Recordar as barbaridades que por ali eram norma, e recordar a estratégia do "pão e circo", de uma forma tão palpável, é também uma lição de humildade.

Ter | 14.05.19

Um guia para ficar apaixonado por Roma em dois dias

 

O lugar-comum diz que todos os caminhos vão dar a Roma e nós fizemos questão de comprovar se havia fundo de verdade. A nossa conclusão foi esmagadora: não só é verdade como fazemos questão de conhecer cada rua e ruela, cada esquina e praça, cada recanto de uma cidade que tem tanto para oferecer.

 

Num fim-de-semana de calor, há dois trunfos fundamentais: uma garrafa de água vazia e calçado apropriado. A primeira porque há fontes espalhadas por toda a cidade com água fresca que vos vai saber maravilhosamente e a segunda porque mais do que andar muito, vão andar num piso que parece uma montanha-russa. Subidas, desníveis, empedrados: tudo vale para vos deixar os pés magoados e à procura de tréguas.

 

Se a escolha de um sítio para ficar é fundamental (como sempre), a seleção de início de viagem dá inúmeras opções. Há um bocado de Roma histórica a querer ser descoberto a quarteirão e dificilmente ficarão desapontados. Para facilitar, vamos dividir as sugestões entre as margens do Tibre. Começamos com o lado do Vaticano no primeiro dia e passamos para o lado do Coliseu no segundo.

Castel Sant'Angelo visto da ponte

A Ponte Sant’Angelo, de frente para o famoso castelo e com uma vista privilegiada sobre a Basílica de São Pedro, é uma passagem privilegiada sobre o Tibre. A sensação de espanto surge pela primeira vez e promete acompanhar-vos a cada hora que passar.

 

Quanto mais cedo chegarem ao Vaticano, melhor. Há fila para entrar na Basílica, fila para entrar nos Museus do Vaticano e fila para chegar à cúpula que garante uma das melhores vistas sobre a cidade. Se conseguirem bater as filas, ganham tempo precioso para a segunda metade do dia. E se quiserem visitar os dois, sigam primeiro para o Museu - a não ser que haja uma missa especial em São Pedro.

 

Um último conselho relativamente aos Museus do Vaticano pode não ser mais do que um instinto de sobrevivência. O espaço é enorme e podem facilmente perder a noção do tempo lá dentro. Se for realmente no início da viagem, a não ser que gostem mesmo muito de arte, não caiam no erro de não seguir os sinais de «caminho express» para a Capela Sistina. Acreditem: mesmo a andar muito rápido, como nós, ainda vão passar por inúmeros corredores antes de chegar ao Santo Graal da arte de Michelangelo. A sala vai estar apinhada de gente, supostamente silenciosa, mas será fácil fugir a essa ideia. Escolham um bom lugar, olhem para cima e deliciem-se. Não é todos os dias que têm direito a ver algo assim.

Jardins do Vaticano

De costas para a Basílica, na famosa Praça de São Pedro, vão querer seguir para a direita, na direção de Trastevere. Lembram-se nos famosos desníveis? Preparem-se para um grande ao subir a Via del Gianicolo rumo à Passeggiata com o mesmo nome. Pode ser exigente mas vai compensar quando chegarem lá acima, no meio das árvores, com uma vista deslumbrante não só sobre a cidade mas também sobre a cúpula da Basílica. Descansem, tirem fotos, façam palhaçadas a imitar os rostos de muitos dos bustos ali existentes e, com a energia reforçada, sigam sem medo na direção de Trastevere.

Nunca se esqueçam de se divertir em viagens

Esta zona, junto ao rio, é Roma no seu expoente máximo. Há praças, esplanadas, e inúmeros sítios para comer e descansar, se encontrarem a sombra certa. Por esta altura, dependendo do tempo que demoraram no Vaticano, vão estar com fome. Podem fazer como nós, e comer um delicioso salmão grelhado (pedido fora do menu porque… desejos), ou simplesmente procurar uma das gelatarias de qualidade comprovada.

Uma das muitas praças de Trastevere

O dia deverá estar quase a acabar mas pode haver uma última oportunidade para verem um sítio muito movimentado e famoso à conta de inúmeros filmes: a Bocca della Veritá. Mais uma vez, vão estar diante de uma enorme fila mas se quiserem a versão expresso, podem aproveitar apenas uma troca de pessoas e fotografar entre as grades. Por último, se quiserem fazer um pequeno desvio, têm o Circo Massimo não muito longe. Em tempos foi a maior arena para os romanos se entreterem mas agora não parece muito mais do que uma zona de descampado. Vale pelo seu significado histórico mas não vos exigirá muito tempo.

 

Com o pôr-do-sol a chegar, um passeio junto ao Tibre promete protagonizar um excelente final de dia. Não é tão romântico ou agradável como o Sena em Paris mas é muito menos movimentado e igualmente relaxante. Depois de tantos quilómetros a andar – e com outro dia inteiro pela frente – vai saber-vos bem.

 

Do Coliseu à Piazza Navona

 

O Coliseu de Roma é, muito provavelmente, uma das construções mais famosas do mundo e, necessariamente, uma das coisas que nos vem imediatamente à cabeça quando se pensa na capital italiana. Sendo assim, é mais do que justo que marque o início de um novo dia.

Coliseu de Roma

A parte boa de Roma é que, por muito longe que o Coliseu possa ser de uma outra atração que tenham em mente, há sempre um trajeto exequível sem pontos baixos. Perto do Coliseu, podem aproveitar a vista do lindíssimo Arco de Constantino antes de entrar no Fórum Romano. Entre ruínas, vão poder ter uma sensação do que era viver em Roma no apogeu da civilização romana. Muito importante, para escapar (dentro do possível) a longas filas, é comprar a entrada para o Fórum e Coliseu no primeiro - já que a maioria das pessoas vai diretamente para o grande cartão de visita de Roma.

 

Quando saírem, do lado contrário, não estarão muito longe do Monumento a Vittorio Emmanuele II. Certamente já terão reparado nele durante o passeio na Passaggiata del Gianicolo e, uma vez mais, também terão a oportunidade de subir lá acima para aproveitar a vista. Vocês saberão melhor do que ninguém se compensa.

Piazza di Spagna

A partir daqui, embora haja locais de atração mais próximos, talvez valha a pena seguir sempre em frente na direção da Piazza di Spagna. Mais ou menos a meio caminho, terão mais uma subida íngreme para cumprirem a tradição de atirar uma moeda na famosíssima Fontana di Trevi. Depois, sigam trajeto até à famosa escadaria. Vejam-na de baixo, subam-na e aproveitem a vista. Aqui terão uma ideia perfeita sobre os sítios por onde já andaram e o que estarão dispostos a fazer ainda.

 

Se forem corajosos, afastem-se ainda mais do centro rumo à Piazza del Popolo, um sítio perfeito para fazer people watching e descansar os pés. Acreditem: eles vão estar desesperados. Se preferirem atalhar, sigam na direção do Panteão (não vão mesmo querer perder esta oportunidade) e da Piazza Navona.

 

Esta última servirá como o grande checkpoint do dia. Não interessa a hora a que lá chegarem, deixem-se ficar. Com sorte, poderão ver um dos habituais espetáculos de movimentação de aves que deixam turistas e italianos de boca aberta e telemóveis no ar. Com azar (se é que se pode chamar a isto azar), encontram um sítio para se sentarem, comem um gelado, um crepe, uma pizza ou outra coisa qualquer e absorvem todo aquele ambiente romano.

Piazza Navona

Vão estar cansados, com os músculos de rastos e pés cheios de bolhas mas, acreditem, não vão evitar o sorriso nos lábios. Roma é assim mesmo. Conquista-nos a cada esquina e por cada caloria gasta tem outra deliciosa para nos oferecer.

Qui | 09.05.19

Planear um fim-de-semana em Roma

 

A segunda-na-verdade-terceira viagem foi Roma: porque há uma razão para os clichés o serem, certo? Ao contrário de Paris, eu nunca tinha estado na capital italiana - Ele sim, e sabia o que fazer e o que queria mostrar.

 

(Also available in English)

 

roma_1.jpg

Claro que ainda não tínhamos aprendido totalmente que somos mais ou menos anti-museus, e lá perdemos horas nos do Vaticano (na versão Xpress diretos à Capela Sistina, but still...), mas mesmo assim foi mais um passo na nossa aprendizagem. Se tivesse que vos deixar com um único conselho para Roma seria este: calcem uns bons sapatos e façam a Passeggiata del Gianicolo, porque vão ser recompensados com um passeio adorável, praticamente deserto, e algumas das melhores vistas da cidade.

 

Como aqui tenho espaço para mais, digo-vos que aproveitem para ver todos os cantos e recantos da cidade, que é um verdadeiro museu a céu aberto, e é o que faz de Roma uma das minhas cidades preferidas. Para isso, é totalmente imprescindível que não ponham os pés em nenhum transporte público, desde que estejam no centro - sim, vão andar muito (muito!), mas vai valer a pena.

 

Esqueçam o mapa, usem o Tibre como referência quando for preciso e andem de piazza em piazza, e de fonte em fonte (a água é bebível e fresquíssima), enquanto as energias vos durarem. Entrem nas igrejas em que vos apetecer entrar, espreitem as ruas que vos der na real gana e, se estiver bom tempo, sentem-se no chão quando os pés não aguentarem mais e observem o rebuliço desta cidade onde mal se veem italianos. Roma é mesmo assim: um estoiro para o corpo e um combustível para a alma.

 

Voo (ida e volta, por pessoa): 127 euros (TAP)

Alojamento (por noite, para duas pessoas)105 euros

Ter | 07.05.19

Top-5 de Paris

A capital francesa é uma cidade tão concorrida que fazer uma lista de cinco coisas a não perder acaba por ser sempre uma tarefa ingrata. Cada pessoa terá as suas preferências mas mesmo assim arriscamo-nos a apresentar uma sugestão, com muitos regalos para os olhos e alguma introspeção.


1. Passeio pelo Sena

Margens do Sena

Se o tempo ajudar, dificilmente poderão encontrar algo melhor. Podem começar na zona da Catedral de Notre Dame, mesmo depois do incêndio, e seguir pelas margens do rio enquanto vivem e respiram como parisienses. Levem alguma comida convosco e aproveitem um banco vazio para relaxar e admirar a paisagem.


2. Sacré Coeur

Sacré Couer

Do rio para a «montanha». O Sacré Couer merece a visita e tem o bónus de oferecer uma vista sobre a cidade incrível. Se souberem calcular a hora da vossa visita, poderão beneficiar, apesar dos milhares de turistas, de um pôr-do-sol inacreditável. Ou, se forem em janeiro como nós, de uma cidade completamente branca.


3. Circuito da fama

Viva a neve?

Preparados para andar? Nada melhor do que começar nos jardins onde está a Torre Eiffel, passar pelo Trocadéro a caminho do Arco do Triunfo e descer os Campos Elísios até à Praça da Concórdia enquanto cantarolam Joe Dassin.


4. Jardim do Luxemburgo

Mais uma tarde para aproveitar

É mais um sítio onde poderão aproveitar o espírito de ser parisiense e passar uma excelente tarde, entre bom tempo, boa comida e um sítio verdadeiramente agradável. O bairro envolvente pede um passeio e o Panteão não está muito longe.


5. Mémorial de la Shoah

Mémorial de la Shoah

Não costuma figurar no topo das listas turísticas mas fazemos sempre questão de entender a marca que os conflitos do passado deixaram em cada uma das cidades que visitamos. Por mais que se visitem espaços deste género, haverá sempre espaço para a surpresa e introspeção. A Place des Vosges e a Catedral de Notre Dame não ficam muito longe.

Qui | 02.05.19

Um sábado em Roland Garros

Suzanne Lenglen

Filas para entrar, para sair, para comer e para ir à casa de banho, insetos terríveis que obrigaram a uma visita à enfermaria e um sol imperdoável. A nossa experiência no Grand Slam parisiense teve disto tudo, mas também teve ténis de alto nível.

 

Uma experiência marcada há anos

 

Alguns sonhos existem para não ser realizados, mas eu não tenho desses. Sou uma rapariga de sonhos simples de realizar, ainda que nem sempre baratos. Assistir a um dia de ténis em Roland Garros era um desses - e existia há anos.

 

A terra batida tem um encanto especial. A característica cor dos courts, as marcas no chão que dispensam o olho de falcão, os pontos mais longos do que em qualquer outra superfície, dão ao ténis um encanto que pisos mais rápidos não conseguem. Roland Garros é, para mim, o expoente máximo do ténis. E Paris está ali ao lado - um dia havia de ir.


Esse dia chegou em 2018, na última jornada da terceira ronda dos torneios de singulares no Grand Slam francês. A viagem para Paris estava marcada há meses - nem um pequeno percalço que me podia ter deixado impedida de andar de avião abalou a nossa confiança - e quando recebemos informação de bilhetes «de última hora», no início de maio, sabíamos que era a nossa oportunidade. Depois de mais de uma hora de espera no site do torneio, e de anos a sonhar com a possibilidade, tínhamos os bilhetes «na mão»: íamos estar no Suzanne Lenglen no dia 2 de junho.

 

O entusiasmo do calendário

 

Quando os encontros da terceira jornada ficaram definidos, dois dias antes da nossa ida, o verdadeiro entusiasmo chegou. «Claro que o Nadal vai jogar no court principal, mas será que temos direito a Del Potro...?» No dia anterior soubemos que os nossos bilhetes nos dariam lugar para ver Fognini com Edmund, Herbert com Isner e ainda Begu, Caroline Garcia, Serena Williams e Goerges. Nos courts anexos, onde podíamos também entrar, João Sousa ia jogar um encontro de pares ao lado de Leonardo Mayer.

João Sousa após a derrota em pares

Só no final do dia de sexta-feira soubemos (e agradecemos aos céus) que a chuva tinha interrompido o encontro entre Monfils e Goffin e esse seria terminado no nosso court, no dia seguinte. Ver um dos meus jogadores preferidos, francês, a jogar perante o seu público em Roland Garros estava muito perto de ser um ás.

 

Meio mundo em Roland Garros?

 

E certo é que, no que toca a ténis, Paris não desiludiu. Depois de várias filas e três controlos de segurança, com dezenas de pessoas a garantir que nada corria mal, chegámos ao recinto em cima do final do encontro de João Sousa, que abandonou o court com cara de poucos amigos depois de perder por 2-0 com os espanhóis Lopez (Feliciano e Marc).

 

Mudámos rapidamente o rumo e seguimos para o Suzanne Leglen, onde Fognini e Edmund já mostravam que podíamos estar perante uma dura maratona. E foi aí, assim que ocupámos os nossos lugares, que começou o martírio. Pelos vistos incomodámos uma das «bêtes de Roland Garros», e eu paguei o preço. A picada do inseto levou-me a conhecer a enfermaria do torneio, cheia de gente simpática e cuidadosa, onde só faltou mesmo conseguir ver a televisão onde mostravam imagens dos courts.

O ambiente em Roland Garros

Meia hora depois, já de curativo e com o braço com o dobro do tamanho normal, foi tempo de arranjar comida. Mantendo a tradição de todos os grandes eventos desportivos, Roland Garros tem a sua dose de filas de horas para restaurantes. Mas a organização conseguiu premiar as pessoas inteligentes e dar a opção de pré-encomendar alguns menus online - foi só questão de aproveitar o tempo e o fim dos custos do roaming na enfermaria e, cinco minutos depois de sair, tinha o meu saco com duas refeições.

 

Aquilo que a organização não conseguiu resolver foi a fila para a casa de banho - mais meia hora perdida aí e, uma hora depois de ter saído do meu lugar, voltei a tempo de ver Fognini a vencer a negra. «Agora preciso mesmo é de um banho. E de comer»: foi assim que o italiano se despediu do público.

 

O encontro de Monfils vinha a seguir e o court mostrava bem que quem ia jogar era francês. O ambiente tornou-se elétrico e, apesar dos aplausos e manifestações de apoio a Goffin também existirem, não havia dúvida de quem era a estrela ali. Infelizmente, para mim e para o público presente, os vários match points que teve à disposição não foram suficientes para impedir um quinto set e a derrota de Monfils.

 

Uma pausa bem merecida

 

Tínhamos um encontro e meio jogados no court e já eram quase cinco da tarde. Nem o facto de Caroline Garcia ir jogar logo a seguir, com Irina Begu, evitou o êxodo do court - nós fizemos parte da multidão que abandonou os seus lugares e procurou um lugar longe do sol para fazer uma pausa e trincar qualquer coisa. Afinal de contas, tínhamos saído de casa pouco antes das quatro da manhã para apanhar o primeiro voo para Paris. A fatura estava a caminho...

As mecas do ténis mundial

Mais uma vez, filas. Para sair, para comer, para andar no recinto. A solução que encontrámos foi abrigarmo-nos na sombra de um court anexo, onde duas juniores treinavam (quem sabe não teremos visto a Serena Williams do futuro?). Quando o lanche acabou e a sombra começou a ser invadida por dezenas de pessoas, achámos por bem voltar ao Suzanne Lenglen e prepararmo-nos para Serena Williams.

 

Já não havia grande dúvida que o encontro de Isner e Herbert ia mudar de casa, já que as maratonas iniciais tinham atrasado muito o calendário. Tínhamos portanto um último jogo para ver - e se o ambiente para ver Monfils estava elétrico, para ver a ex-número 1 (ou eterna número 1?) mundial não ficava nada atrás. Serena Williams entrou bem e decisiva no encontro, aproveitou a energia do público e pela primeira vez nesta edição, jogou realmente bem. Mal sabíamos que dois dias depois ia desistir antes de defrontar Maria Sharapova. Tivemos sorte.

 

Mike Tyson e o final de um dia em cheio

 

Quase oito horas e meia depois de entrarmos em Roland Garros era tempo de partir. Alguns encontros ainda decorriam, mas nunca teríamos hipótese de bater as filas, claro, para entrar nesses courts, por isso achámos por bem despedirmo-nos do recinto. Nova fila (mais pequena, desta vez), para sair do court, e damos por nós a ser empurrados por seguranças que criam um cordão de segurança e nos impedem de passar.

 

A curiosidade é mais forte: quem vai ali? Nenhum tenista que tenha passado por nós vai com uma entourage tão grande. Uma mulher exuberante chama a atenção, e ficamos convencidos que quem vai ali é alguém que não conhecemos. Mas depois, no último momento, uma tatuagem característica e uma cabeça rapada chamam a nossa atenção: é Mike Tyson quem vai rodeado de segurança a sair do estádio. As impressões? Para que é que um boxeur precisa de tanta gente?, e... bolas, é mais baixo do que se esperava.

 

Por outro lado, analisando bem as coisas agora, a frio, ainda bem que ia rodeado de tanta gente. Não há dúvida de que é preferível ser picada por um inseto no braço do que mordida na orelha por Tyson.

 

Seguimos caminho e, depois de uma longa caminhada, estamos novamente no metro, no meio de rostos e ombros escaldados e caras cansadas. A nossa experiência em Roland Garros teve de tudo: excelente ténis, multidões, partidas inesperadas e muitas horas bem passadas. Para ser 100% Paris, só nos faltou a chuva e o cancelamento de jogos. Ainda bem que esses não chegaram.