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travel blog

Ter | 15.01.19

A maior aventura ferroviária dos Estados Unidos

 

Não consigo precisar quando foi a primeira vez que ouvi falar sobre o California Zephyr mas tenho ideia que foi durante a viagem que fiz a Chicago em 2012. Faz sentido que assim tenha sido. Foi uma viagem que fiz sozinho, que tive de organizar do início ao fim, que envolveu viagens de autocarro a Indianápolis e Milwaukee e inúmeros convites para companhia.

 

Deve ter sido lá no meio que me cruzei pela primeira vez com o conceito do California Zephyr, uma espécie de “route 66” ferroviária. Um comboio que parte de Chicago com destino aos arredores de San Francisco, atravessando Iowa, Nebraska, Colorado, Utah, Nevada e Califórnia. São dois dias e meio de viagem (a maior rota ferroviária dos Estados Unidos, com quase 4000 quilómetros), com direito a passagem pelas Montanhas Rochosas, por paisagens desérticas e por muito mais de uma beleza natural inaudita.

Olhar pela janela foi o nosso passatempo preferido durante dois dias

A ideia ganhou terreno no meu inconsciente e sabia que, um dia, ia acabar por fazê-la. Foi por isso que, no verão de 2016, comecei a falar com a Sarah sobre a nossa grande viagem aos Estados Unidos do ano seguinte. Já tinha partilhado este objetivo com ela há mais tempo (conhecemo-nos praticamente em cima da minha viagem em 2012) e só nos faltava conseguir definir um roteiro que nos agradasse e, ao mesmo tempo, fosse economicamente sustentável.

 

Começámos a estar sempre em cima dos bilhetes de comboio – procurando uma divisão com beliche, com o conforto necessário mas sem ser muito cara – e, ao ver a oportunidade perfeita, avançámos. É difícil explicar a adrenalina que se sente quando se está a partir para uma aventura deste género, a euforia de carregar no botão a validar a compra e a natural preocupação de saber que continua a faltar montar tudo o resto.

 

Para nós, não fazia sentido ir aos Estados Unidos apenas para fazer o California Zephyr. Por isso, começámos por estabelecer que íamos ficar uns dias em Chicago antes do dia da partida. Fazia todo o sentido, assim como ficar um fim-de-semana em São Francisco no final da viagem. Tínhamos acabado de regressar da cidade californiana nesse ano, por isso íamos aproveitar apenas algumas horas para repetir o que mais tínhamos gostado e matar saudades.

O nosso primeiro nascer do sol num comboio

A ideia-chave era esta mas a minha paixão por Boston fez-me pensar em aumentar a dimensão da viagem. E se juntássemos um prefixo à viagem, com quatro dias no Massachusetts antes de seguirmos para o Illinois? Era preciso ver se os preços poderiam encaixar no nosso orçamento e, como sempre, não virámos a cara à luta.

 

Para mim, o California Zephyr ia ser a única novidade da viagem. E que novidade! Mas saber que ia poder “apresentar” Boston e Chicago à Sarah tornou-se algo tão importante como a viagem de comboio em si.

Union Station em Chicago

E sabem que mais? Foi perfeito. O tempo pode não ter ajudado sempre mas a viagem de comboio – e tudo o que ela significou – fez-nos sair da carruagem a pensar: “OK, e agora qual vai ser a próxima?”. Passaram dois anos e ainda não houve próxima mas a nossa bucket list continua intacta.

 

 

Voo (ida para Boston, regresso de São Francisco, por pessoa): 687.12eur, KLM
Voo (ida de Boston para Chicago): 49.44eur, American Airlines
Alojamento em Boston (apartamento, por noite, para duas pessoas): 159.75eur
Alojamento em Chicago (hotel, por noite, para duas pessoas): 100eur
Alojamento em São Francisco (hotel, por noite, para duas pessoas): 111eur
Comboio (ida de Chicago para São Francisco, em "roomette" para duas pessoas, com todas as refeições incluídas, por pessoa): 300eur