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travel blog

Ter | 18.09.18

Abraçar a adversidade e ir à descoberta em Lyon

 

As viagens são capazes de nos marcar pelas mais variadas razões. Podem não passar de pormenores avulso, sem grande impacto no balanço final, mas nem por isso deixam de se tornar num sinónimo automático sempre que nos lembramos de um destino.

 

(Also available in English)

Estátua de Luís XIV junto à Grande Roda

O dia em Lyon será lembrado para sempre como aquele em que decidimos que nunca daremos o nome de Dinis a um filho, nosso ou de outra pessoa qualquer. Sim, é nome de rei, O Lavrador, mas também o da criança que semeou o pânico durante duas horas dentro de um avião… mesmo atrás de nós, fazendo das nossas cadeiras um saco de pancada.

 

O objetivo era ir para Genebra mas o aeroporto fechou quando já estávamos a fazer a aproximação à pista e, depois de várias voltas no ar, acabámos desviados para Lyon. Foi a primeira vez em mais de 100 voos que nos aconteceu algo do género: já tínhamos brincado com a sorte com nevões, atrasos e avarias mecânicas, mas o destino, a ir ou a voltar, nunca tinha sido posto em causa. Desta vez foi impossível escapar.

 

A companhia aérea começou por prometer autocarros que fizessem a ligação até Genebra mas com o piorar das condições climatéricas até as estradas foram cortadas. A alternativa única passava a ser o comboio, com pelo menos sete voos nas mesmas condições que nós e a prometer o caos nas próximas horas.

 

As filas para comprar os bilhetes para o centro de Lyon, de onde depois sairíamos para Genebra, eram intermináveis. Fizemos o que fazemos tantas outras vezes: dividimos para reinar. Um numa, outro noutra (nas duas que nos pareceram mais pequenas entre cinco ou seis) e esperámos. De repente, enquanto falávamos ao telefone sobre os horários dos comboios, surgiu a proposta: «E se ficarmos cá até ao final da tarde e aproveitarmos para ver um pouco da cidade?».

Rio Ródano

Foi uma sugestão tão simples que nenhum de nós sequer chegou a pensar que poderia haver lados negativos. Desse por onde desse, íamos chegar a meio da tarde a Genebra, com o dia perdido, e já depois da hora marcada para a nossa visita ao CERN. Por outro lado, ao ficar em Lyon, íamos conseguir escapar ao caos de centenas de passageiros e seguir viagem com mais calma.

 

Nunca é bom ter um voo desviado. É uma situação que pode provocar stress e discussão, pode causar desentendimentos evitáveis mas ali, na fila para o comboio, percebemos que abraçar a adversidade e ir à descoberta de Lyon era a melhor solução que tínhamos. E a única boa também.

 

Maximizar o tempo disponível

 

Acordámos a pensar que íamos passar o dia em Genebra e de repente tínhamos pouco mais de quatro horas em Lyon. Todos os minutos eram valiosos e queimámos etapas: enquanto esperávamos pelo expresso para o centro da cidade, dividimos tarefas - a Sarah comparava os bilhetes do TER para Genebra através do telemóvel (evitávamos filas desnecessárias na estação e garantíamos os lugares), eu procurava pelo que pudéssemos visitar em Lyon «a correr».

 

Somos sempre mais adeptos de calcorrear as cidades, respirar o ambiente, observar as pessoas e a arquitetura, por isso não deveria ser muito complicado. Mas por vezes abrimos exceções e Lyon gritava por uma: o Centro de História da Resistência e da Deportação.

Céus franceses

Depois, sim, íamos procurar tirar o pulso à cidade e seguir rumo ao coração histórico e à sua arquitetura mais antiga. Num cenário perfeito, teríamos ido à Basílica de Notre Dame no topo da colina, com vista privilegiada para a cidade, mas a inclinação e a falta de tempo foram fortes senãos.

 

Afinal, tínhamos acordado às três da manhã – sem banho tomado porque as obras municipais acharam que seria uma boa hora para afetar o serviço de água -, estávamos cansados e os contras pareciam ser maiores do que os prós. Mas nem por isso deixámos de ficar fascinados com a parte velha de uma cidade que conjuga bem o passado com o presente e explora a gastronomia local a ponto de nos «obrigar» a experimentar o praliné rosa [desilusão!] numa das esquinas das ruelas da parte velha.

Uma experiência para não repetir

Quando demos por nós era altura de voltar. Foi pouco tempo, é certo, e havia mais a fazer, mas valeu a pena. Maximizámos a tarde da melhor forma possível e até aproveitámos um tempo muito mais convidativo do que aquele que estava à nossa espera em Genebra.

 

 

 

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