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atlas de bolso

travel blog

Qua | 19.12.18

As mil e uma formas e razões para ir a Madrid

 

Há quem adore Madrid. Quem tenha uma ligação especial à grande capital europeia que está aqui mesmo à mãozinha de semear. Quem adore as tapas, as compras, os espetáculos e o movimento das ruas. Não é o nosso caso.

Vicente Calderón num dérbi de Madrid

Madrid tem, para nós - ou melhor, para o Rui - um encanto especial, e chama-se Club Atlético de Madrid. É uma paixão assolapada que já nos fez ir mais vezes do que seria normal até ao lado de lá da fronteira. De vez em quando, Madrid tem outros encantos temporários - como a final da Libertadores ou o Mundial de Basquetebol -, que nos fazem visitá-la, mas no fundo, tem sido o Atlético a guiar-nos.

 

A primeira visita que fizemos juntos a Madrid foi em 2013 para ver um Atlético-Real. Olha que clássico. Reservámos o avião, subornámos um amigo para lhe ficarmos com a casa no fim-de-semana e pusemo-nos a caminho, num mês de abril frio como o raio na terra de nuestros hermanos. Dessa viagem as memórias são essas: o jogo e o frio que sentimos. E uma comida terrível, porque ainda não sabíamos da existência da maravilhosa Lateral e não sabíamos como nos alimentar em Madrid.

 

No ano seguinte estávamos cheios de confiança. O Atlético ia ser campeão, ah pois ia, e nós íamos lá estar para ver. Desta vez fomos de carro e ficámos num hotel - afinal o que são seis horinhas a conduzir para um lado e para o outro para ver o clube do coração a ser campeão a uma jornada do fim? O jogo era contra o Málaga e, com o Barcelona a empatar, bastava ao Atlético ganhar para sairmos de Madrid com um daqueles sorrisos que não nos sai da cara durante dias. Infelizmente, não estava escrito nas estrelas: os colchoneros foram incapazes de ultrapassar os malaguenhos e as seis horas de volta para Lisboa, de madrugada, foram um exercício de humilhação, tristeza e frustração. 

 

Mais tarde, nesse ano, voltámos a Madrid. O Rui estava a cobrir o Mundial de Basquetebol que se disputava em Espanha e, depois de uma semana em Sevilha, tinha rumado à capital. Eu aproveitei o fim-de-semana e fui lá ter de autocarro. E deixem-me que vos diga que não foi assim tão mau: é verdade que eu sou uma pessoa de dormida fácil, não há como dizê-lo de outra forma. Aconchegadinha no meu lugar, num autocarro a abarrotar que saiu de Lisboa às oito da noite, não demorei muito a adormecer e a viagem até Madrid fez-se num... abrir e piscar de olhos. Literalmente. Novamente de casa roubada a um amigo, cheguei, dormi o que faltava e quando as horas de acordar chegaram estava fresca como uma alface - e pronta para conhecer o Santiago Bernabéu para um jogo entre Real e Atlético.

Santiago Bernabéu

Desde essa altura voltámos regularmente. Fomos ver jogos da Champions a dois e com companhia extra, conhecemos o Wanda Metropolitano quando o Atlético mudou de casa, fomos de fim-de-semana e fizemos visitas express. Chegámos até a usar Madrid como escala improvisada a caminho de Malta, em que só houve tempo para jantar e dormir umas horas.

 

A verdade é que, apesar de Madrid não ser dos nossos destinos preferidos, não termos especial vontade de visitar a cidade e não procurarmos os melhores voos para voltar, a cidade tem-se entranhando e, volta e meia, lá estamos nós a planear a coisa outra vez. Já sabemos onde estão todos os franchises da Lateral - e já experimentámos uma boa parte deles -, visitámos o Reina Sofia nos dias gratuitos e dormimos na relva do parque do Retiro. Guardamos na carteira o cartão que ainda tem bilhetes de metro que sobraram da última viagem que fizemos, porque sabemos que vamos voltar.

Madrid vestida para o Natal

A única coisa que ainda não sabíamos, mas que agora já aprendemos, é que Madrid é um sítio terrível para visitar no Natal. O movimento das ruas é multiplicado por mil e aquela coisa gira de passear pelas ruas e praças, espreitar as montras e os mercados, torna-se uma tarefa hercúlea - ou mesmo impossível, para claustrofóbicos. E aqui está o verdadeiro significado de Madrid para nós: é a cidade que já visitámos mais vezes juntos, e em que a cada nova visita aprendemos uma coisa comezinha que nos mostra que continuamos a não gostar muito dela, mas que não nos importamos de ir lá dizer olá.