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Ter | 22.10.19

Comer até rebentar no Mercado Nishiki em Quioto

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Há várias formas interessantes de passar um bom par de horas em Quioto, mas talvez nenhuma seja melhor (e, certamente, não há nenhuma mais gulosa) do que percorrer a azáfama do Mercado Nishiki e seguir os cheiros e sons até às maravilhas culinárias daquela cidade japonesa.

Os famosos "polvinhos"

Depois de termos acordado muito antes daquilo que normalmente faríamos para bater as multidões nalguns dos mais emblemáticos locais de Quioto (e de ter valido muito a pena - link), o Mercado Nishiki foi uma ótima opção para fazermos uma espécie de almoço tardio ou lanche ajantarado - diz que agora os chiques lhe chamam linner - e podermos experimentar, de uma só vez, uma série de iguarias que nos andavam a piscar o olho. Que este mercado fique bem próximo do hotel onde estávamos hospedados, na Nishikikoji-dori, foi só uma coincidência que tornou tudo ainda mais fácil de fazer.

O que não torna a experiência mais fácil, infelizmente, é o facto de o mercado se estender por uma rua estreitíssima e ter sempre centenas de pessoas - a espaços, é uma batalha conseguir dar mais de cinco passos por minuto. Mas vale a pena, acreditem. Só não se esqueçam de não comer enquanto andam - a regra número um quando se visitam mercados no Japão. Ou comem em frente ao sítio onde compram as coisas, ou guardam tudo no saquinho até arranjarem um poiso para o vosso piquenique.

Uma das muitas bancas que nos piscaram o olho durante a visita

O Mercado Nishiki agrada a gregos e troianos, o que, neste caso, quer dizer locais e turistas. Há bancas com legumes frescos ao lado de outras que vendem saquinhos de chá preparados para levar no avião de regresso, produtos a granel ao lado de grelhas com maravilhas prontas a comer e, na mesma banca, encontram peixe fresquíssimo e produtos já confecionados para experimentar na hora.

Nós começámos pela ponta este e, logo de início, demos de caras com os mini-polvinhos que, tradicionais ou não, já faziam parte do nosso imaginário antes de chegarmos. E se a primeira, segunda ou terceira banca não nos convenceram, não demorámos até parar junto de uma loja com espetadas grelhadas para abrir o apetite - escolhemos caranguejo e "massa" com polvo, e não saímos dececionados.

Os pastéis que fizeram as nossas delícias

Um pouco mais à frente, rendemo-nos então ao polvinho, mais o seu ovo cozido na cabeça; o veredito? Prefiro uma perna mais grossa, e já agora à lagareiro. Uma nova paragem para um clássico, a ver pela quantidade de japoneses que os levavam aos sacos de dez para casa: fritos variados, em forma de pastel. Para nós, camarão e cebola, mas teríamos certamente mais de vinte variedades à escolha.

Ao longo do mercado há frutos secos, há chás de variadíssimas cores e sabores - claro que predomina o matcha -, há sushi e carne grelhada, há sopa - o que não há é falta de escolha. Nem dúvidas quanto à última paragem que faríamos, nos famosos donuts de leite de soja da Konnamonjya. Confesso que tive um momento de pânico ao pensar que podíamos não encontrar esta "referência" nishikiana, mas rapidamente se desvaneceu. Lá estavam, na esquina, em todo o seu esplendor, acabados de fritar. Experimentámos os simples (vendidos aos dez), mas para ocasião futura ficou a promessa de voltar e provar os cobertos de chocolate ou caramelo.

Donuts de leite de soja