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Seg | 22.07.19

Guia para três dias em São Petersburgo

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São Petersburgo foi, durante cerca de dois séculos, a capital do Império Russo - e isso nota-se: na escala, na imponência, na arquitetura dos edifícios que nos rodeiam. Em três dias de visita há tempo para ver o melhor do centro, mas também para nos afastarmos um bocadinho e conhecermos outra das pérolas russas: Petergof.

(E se querem saber mais sobre o que é preciso para planear uma ida à Rússia ou o nosso guia para Moscovo, podem ver os posts anteriores!)

 

Dia 1 - Uma introdução a São Petersburgo

Na minha opinião, não há melhor forma de começar a conhecer uma cidade do que vê-la de cima. Como tenho vertigens, isso significa que, nas nossas viagens, o Rui sobe a um sítio bonito, tira fotografias ao panorama da cidade e mostra-me. É como se tivesse estado lá.

Catedral de S. Isaac oferece vistas privilegiadas

A minha sugestão para começarem uma visita a São Petersburgo é exatamente essa: ultrapassarem os vossos medos, calçarem os melhores sapatos e subirem à torre da Catedral de S. Isaac, onde terão uma vista de 360º sobre a cidade. A única forma de chegar lá acima é subir os degraus da torre (os primeiros 211 estão numerados mas o número ultrapassa os 250), por isso convém que a forma não esteja muito em baixo.

De regresso à terra que fomos feitos para pisar, recomendamos que explorem o Jardim de Alexandre, logo adiante, e que deem um primeiro olá ao rio Neva. O passeio pela margem, até ao Hermitage, vale a pena, e deixa-vos mais perto do vosso próximo destino.

O Pyshechnaya é um estabelecimento para onde normalmente não olhariam duas vezes, mas devem fazê-lo, haja ou não filas à porta. Vende pishki, uma espécie de fartura em forma de donuts afogada em açúcar que é impossível descrever, mas que vos fará sonhar durante semanas. Dicas fundamentais: uma pessoa saudável come uns cinco (mas pedem-se à unidade, quantos quiserem, a 15 rublos cada) e normalmente não aceitam pagamento com cartão.

Fixem estas letras: o vosso estômago agradece

Os famosos pishki

Com o estômago confortadinho, é hora de se porem a caminho da Catedral do Sangue Derramado. Quando visitámos estava em obras, assim como o mercado de souvenirs que costuma ocupar o quarteirão do lado, mas mesmo assim vale a pena uma visita. Claro que, depois de São Basílio, não tem o mesmo impacto.

Seguir pelo canal até à Avenida Nevsky e explorar essa artéria fundamental da cidade é a nossa sugestão para as horas de sol que vos faltarem (que podem ser muitíssimas, caso visitem durante o verão das noites brancas, ou mesmo muito poucas). O edifício Singer, que agora alberga uma enorme livraria (com simpáticas secções de literatura em inglês, postais e outras potenciais prendas), um restaurante e mais um par de estabelecimentos, estará na esquina dessa rua.

Do outro lado da estrada fica a Catedral de Nossa Senhora da Kazan (gratuita) cujo exterior austero não faz jus à imponência das relíquias que esconde. Visitar ao domingo é sinónimo de apanhar longas filas de fiéis que prestam a sua homenagem no altar principal.

 

Dia 2 - A Rússia dos Czares (e a arte do Hermitage)

Uma das vantagens de visitar São Petersburgo no verão é que não há pressa: sabemos que os dias vão durar e, por isso, podemos aproveitar umas horinhas extra na cama. Façam o mesmo, se puderem, para terem toda a energia possível. A primeira paragem de hoje é o Pyshechnaya, peço desculpa, o Palácio e os Jardins de Petergof.

O palácio das inúmeras fontes

O complexo, encomendado por Pedro, o Grande, para rivalizar com o Palácio de Versailles, foi construído no início do século XVIII e é tão impressionante como soa. Fica a cerca de 30km do centro de São Petersburgo, e vale a pena a visita.

Chegar lá é simples: podem apanhar um barco ao pé do Hermitage (45 minutos de viagem, bilhete 850 rublos por pessoa, só no verão); podem apanhar o metro até Avtovo, seguido de um mini-autocarro até Petergof (com um custo de cerca de 100 rublos por pessoa, 1h50 de viagem); ou podem apanhar um Táxi/Uber/whatever e viver uma experiência que nunca vão esquecer (800 rublos por trajeto, mais ou menos uma hora de viagem).

A nossa escolha foi ir de Uber (já agora, recomendo-vos que partilhem o trajeto com alguém que não esteja convosco, pois diria que há alguma probabilidade de morrerem pelo caminho) e voltar de barco, para podermos ver a cidade de um novo ângulo. A viagem não é linda, mas é interessante.

Voltando a Petergof, os jardins valem a pena a visita e um par de horas a passear. Levem comida e bebida e façam um piquenique por ali, com o barulho das fontes e do mar como pano de fundo. A nossa melhor dica para fotografias sem gente? Esperem que chova.

Não chovia... ainda

De regresso à cidade, recomendamos que a tarde seja preenchida com o Hermitage, que vos ocupará certamente um bom par (ou vários pares) de horas. Mesmo nós, que não somos pessoas de museus, acabámos por passar uma tarde praticamente inteira neste colossal complexo de edifícios. Fundamental é perceber que, assim que entram para o jardim do Palácio de Inverno, há bilheteiras automáticas de ambos os lados - não se dá por elas porque quase não têm filas. Como os bilhetes de tarifas reduzidas para cidadãos russos não podem ser comprados ali, ganham os turistas que têm de pagar os 700 rublos para entrar - mas fazem-no em 5 minutos.

Peguem num mapa, decidam as vossas prioridades e ponham-se a caminho, mas lembrem-se que há mais edifícios que o Palácio de Inverno - é no General Staff Building, por exemplo, que encontram a colecção de arte moderna. Para nós, valeu a pena fazer o percurso dos "interiores do Palácio" e observar toda a opulência que marcou o reinado dos czares, que tinham ali a sua residência.

Um dos salões imponentes do Hermitage

(E ainda se lembram que ali ao lado fica o Pyshechnaya?)

 

Dia 3 - O rio Neva e o metro de São Petersburgo

Num último dia em São Petersburgo, o que falta ver? Para nós, a resposta é o rio e o metro.

Uma das coisas mais peculiares da cidade é o seu conjunto de pontes que, todas as noites, se eleva para deixar passar barcos de grandes dimensões - o que impede que, durante algumas horas, se chegue de uma ilha a outra. Não sendo pessoas "noturnas", não pudemos apreciar o espetáculo, mas diz quem conhece que vale a pena - fica a dica.

Se o tempo estiver agradável, é perfeito para descansar

O que nós podemos recomendar é conhecer o Neva a pé, nas suas margens, atravessando as suas pontes e conhecendo as suas praias. Assim, a nossa sugestão é que comecem o dia com um passeio que passe pela Ponte do Palácio e, depois, pela Ponte Birzhevoy, até chegar à Fortaleza de Pedro e Paulo. Trata-se da cidadela original de São Petersburgo e tem, dentro das suas muralhas, uma série de museus, edifícios militares e igrejas. Em redor encontram uma praia que, consoante os dias, pode ser boa opção para uns banhos de sol... ou para ver uma prova de vela, quem sabe.

Metro de São Petersburgo é uma das atrações da cidade

À semelhança do que recomendámos para Moscovo, também em São Petersburgo sugerimos que terminem a vossa viagem com um passeio pelo metro, que é uma atração em si mesmo. Nos próximos dias falamo-vos mais sobre esta ideia.

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