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atlas de bolso

travel blog

Qua | 14.11.18

Guia para um fim-de-semana alargado em Toulouse

 

Entre Lisboa e Toulouse há voos diretos e é possível estar despachado do aeroporto em poucos minutos; nós, depois das duas da tarde, estávamos a caminho do centro e pudemos aproveitar o fim-de-semana como se estivéssemos em Portugal e tivéssemos dormido até mais tarde.


O transporte até ao centro da cidade é fácil – e barato – através de transportes públicos e depois de despachar o check-in no hotel (a cidade não é muito grande por isso o difícil é reservar um sítio que não esteja bem localizado) ainda há tempo para dar uma primeira volta pela cidade até chegar o pôr-do-sol.

Toulouse e o Garone

Esta era a nossa maior prioridade. Tínhamos vindo a acompanhar a evolução meteorológica para estes dias (fim-de-semana alargado do 5 de outubro) e sabíamos que até ao final da tarde de sábado o tempo ia estar muito bom. Aproveitar o pôr-do-sol junto ao rio logo na sexta-feira tornou-se o nosso maior objetivo.

 

Dia 1, em busca do pôr-do-sol


Andar em Toulouse é muito fácil. Os transportes são fáceis de entender mas quem preferir andar a pé também não vai morrer por isso. Ainda assim, a melhor alternativa (mais barata, mais cómoda e menos cansativa) é capaz de ser a rede de bicicletas que está disponível um pouco por toda a cidade. Nós não a utilizámos – porque há quem não consiga fazer curvas para a esquerda sem cair – mas percebemos o potencial fantástico de ter esta alternativa numa cidade como Toulouse.

 

O caminho do hotel até ao rio Garone foi quase sempre em linha reta mas aproveitámos para tomar o pulso à cidade. Pelas pequenas e velhas ruas do centro, fomos parar à Basílica de Saint-Sernin. Estava em obras – o que tornou a passagem um pouco menos bonita – mas ainda assim é interessante o suficiente para contemplar de vários ângulos. A forma como os vários componentes da construção se sobrepõem parece promover uma constante metamorfose da paisagem, como se diante de nós estivesse uma basílica em sucessiva mudança.

Basílica Saint-Sernin

Dali, seguimos para o centro da parte histórica: a Praça do Capitólio. O edifício é imponente, ajudado pela dimensão da praça que tem à frente, e assume-se como um lugar perfeito para people watching. Há várias esplanadas para nos sentarmos a ver a azáfama da cidade, bem como restaurantes de vários tipos, desde cadeias de fast-food como a McDonald’s a soluções mais locais.

 

Com o tempo a passar e o sol cada vez mais baixo, o caminho fez-se em direção ao Garone. A ideia era simples: chegar às margens do rio junto ao parque La Daurade, um local onde os jovens se juntam para conviver, atravessar a Pont Neuf e desfrutar da vista do outro lado com os raios de sol a embater no famoso tijolo rosa pelo qual Toulouse é famosa.

Pôr do sol em Toulouse

Fizemo-lo de outro parque, o Prairie des Filtres, no meio de crianças, jovens e adultos que quiseram aproveitar o final de sexta-feira para descontrair. Cada vez mais longe do hotel e com o objetivo alcançado, regressámos pela Pont Saint-Michel, a sul da Pont Neuf, e tivemos, uma vez mais, uma vista fantástica sobre uma inesquecível Toulouse outonal.

 

Dia 2, da arte urbana ao desporto passando pela natureza


A Sarah costuma ser a líder dos planeamentos em viagens. Em Toulouse, foi diferente. Houve pouco tempo de descanso desde a viagem aos Estados Unidos e o trabalho em Lisboa não deu margem para grandes tempos livres. Por isso, coube-me a mim decidir o que fazer naquele sábado. Ao contrário dela, não sou tão exaustivo na pesquisa e acabei por decidir o que fazer na noite de sexta-feira, mesmo antes de adormecer.

 

Depois de encontrar um mapa com os principais destaques de grafitis em Toulouse, escolhi o exemplo que me parecia mais agradável nas proximidades do hotel. Foi assim que começámos o dia: numa zona mais residencial, sem um turista à espreita, e com a Sarah sem saber minimamente o que a esperava.

Grafitti em Toulouse

A natureza seria o destino seguinte. Reencontrámos o caminho para o Canal do Midi, que separa a zona nuclear de Toulouse do resto da cidade, e seguimos por entre as árvores com folhas de cores outonais até ao Jardim Botânico Japonês. Sabemos que é uma tendência bastante comum nas cidades francesas, mas não nos deixou de surpreender aquele espaço com influência tão asiática no meio de Toulouse.

 

Já com bastantes quilómetros nas pernas, descansámos um pouco, antes de regressar ao Canal du Midi e seguir na direção do Garone até encontrarmos um outro canal: o de Brienne. As vistas, uma vez mais, foram fantásticas. Sim, é preciso andar muito, mas fazer este caminho em outubro, com bom tempo e com as folhas em flagrante metamorfose cromática é uma experiência perfeita. Mesmo com a Sarah a morrer de fome.

Canal du Midi

A prioridade passou a ser o almoço – já tardio – antes de voltarmos a atravessar o rio para o outro lado, para explorar a espetacular vista da Passerelle de la Viguerie e do Parque Jardim Raymond VI, junto a Les Abbatoirs.

 

Por esta altura, havia apenas mais um item na lista para sábado: ver um jogo de râguebi do State Toulousain. Não chovia e o tempo ainda estava agradável, mas já se começava a perceber que a mudança no céu estava em andamento. O cansaço e a necessidade de reequipar no hotel para o frio e chuva motivou o regresso. Descansámos um pouco – afinal, tínhamos andado vários quilómetros e não foi assim há tanto tempo que a Sarah foi operada à anca – e ganhámos coragem para o novo desafio.

 

Dia 3, uma Toulouse com outras cores


A agenda para o último dia foi a mais difícil de escolher. As previsões davam chuva torrencial para grande parte do dia e só tínhamos o voo de regresso já de noite.

Capitólio de Toulouse

As opções são muitas: a sul há a Cité de L’Espace, um parque temático dedicado à conquista espacial. Junto ao aeroporto, há o Museu da Aeroscopia, sede da Airbus e dedicado aos aviões.Noutras ocasiões, esta segunda seria a nossa escolha mas acabámos por preferir ficar no centro da cidade, aproveitando para a conhecer com outras cores.

 

Sim, esteve mau tempo. Sim, esteve a chover, mas ficamos sempre com a sensação de que conhecemos melhor uma cidade quando a conseguimos ver e absorver não só em dias de sol mas também no meio da chuva. Explorámos melhor as pequenas ruas junto à Praça do Capitólio, entrámos no edifício, passeámos junto ao rio e comemos: crepes salgados, crepes doces, gaufres.

 

E quando choveu mais do que o que era suposto e suportável para andar na rua? Bom, aí decidimos inovar e escolhemos ir ao cinema (optando cautelosamente por um filme norte-americano não dobrado). O timing pareceu perfeito: entrámos no edifício a chover torrencialmente e, quando saímos, não voltámos a ver uma pinga a cair. A sorte esteve do nosso lado.

Ruas de Toulouse