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travel blog

Qua | 07.08.19

Guia para um fim-de-semana prolongado em Praga

A capital da República Checa é uma das cidades mais encantadoras da Europa Central. Sem ter a fama de capitais como Paris, Londres ou Roma, oferece um leque de opções turísticas capaz de seduzir até os mais desinteressados. É uma cidade bonita, cheia de atrações e que promove as caminhadas – mesmo as mais difíceis. Nós ficámos conquistados: não havia como não.

Karluv Most

Dia 1

Não há nada melhor do que ver uma cidade pela primeira vez. A curiosidade e a antecipação são enormes e há uma grande diferença entre ver fotografias em guias e poder presenciar algo ao vivo. Por isso, uma das nossas prioridades passa sempre por guardar as malas e passear pelas ruas para começar a absorver o espírito local e observar as suas peculiaridades.

Garantir um panorama geral da cidade é igualmente importante, por isso começar na Torre da Pólvora é uma excelente ideia. Pode não estar na zona mais central mas é perfeito se o vosso alojamento for lá perto. Além de tudo o resto, permite-vos riscar uma coisa da lista que não ficaria a jeito de fazer a meio do dia.

Torre da Pólvora é ideal para uma primeira vista sobre Praga

Esta torre está no meio da estrada – os carros passam por baixo do seu arco – e subir até ao topo é um desafio que exige boa condição física. As escadas são antigas e escuras e tornam-se cada vez mais complicadas. A verdade é que chegando lá acima, sobretudo se não tiverem vertigens (não é, Sarah?), a vista compensa. Não tenham ilusões: não é a melhor vista de Praga – o melhor fica guardado para depois – mas é um excelente aperitivo e ajuda-nos a criar algum sentido de orientação.

O dia da viagem costuma ser cansativo por isso há escolhas que dependem sempre de cada um – e da presença de sol ou chuva. Perto da Torre da Pólvora, está o Museu do Comunismo (quando fomos em 2014 estava em obras e visitámo-lo noutras instalações). Quem nos conhece, sabe que não somos fãs de museus… excepto quando se trata de História. A opção é perfeita: dá-nos a conhecer melhor o país, falando-nos da história da cidade e do que aconteceu nas décadas anteriores.

Depois de sujeitos a tanta informação, poderão querer desanuviar e fazer uma caminhada pela rua pedonal e altamente comercial que leva até à histórica Praça Venceslau. Se tiverem saído do Museu do Comunismo, é altamente provável que venham a reconhecer as imagens das manifestações e celebrações que se fizeram com o Museu Nacional em plano de fundo. De certa forma, está para a praça como a Câmara Municipal do Porto está para a Avenida dos Aliados.

Praça Venceslau com o Museu Nacional ao fundo

Com o dia a terminar, aproveitem para explorar um pouco mais da cidade com um cruzeiro pelas águas do rio Vltava. Mais uma vez, será um excelente aperitivo para verem pela primeira vez muito do que visitarão nos dias seguintes.

 

Dia 2

O segundo dia vai ter muita atividade ribeirinha mas convém começar um pouco mais longe. A Praça da Cidade Velha é uma das zonas mais conhecidas e concorridas de Praga, com as suas múltiplas esplanadas, sítios para comer, lojas onde poderão ver cristal a ser moldado e, claro está, o relógio astronómico.

O famoso relógio

De hora a hora, os turistas juntam-se para ver aqueles segundos de desfile de pequenas figuras e esqueletos enquanto se ouvem as badaladas. Há quem comece a ganhar espaço vinte minutos antes mas não é motivo para tanto exagero. Sejam ansiosos ou não, aproveitem para ver. Não se pode ir a Praga sem assistir à mudança de hora no velho relógio com mais de 600 anos.

A caminho do rio, há dois sítios por onde podem passar: o estranho monumento a Franz Kafka e o cemitério judeu. Por esta altura, sem qualquer desvio, estarão cada vez mais perto do rio, conseguindo ver o Castelo de Praga no topo da outra margem e o rebuliço junto à Karluv Most (Ponte Carlos).

As imediações são uma excelente zona para encontrar comida – apesar de mais cara – e não tenham pressa. É um sítio perfeito para fazer people watching: percorram a ponte até ao lado contrário sem pressa, vejam as estátuas e aproveitem para apreciar a vista espetacular a 360 graus.

Karluv Most

Do outro lado, subir até à zona do Castelo de Praga vai ser uma aventura cansativa mas, uma vez mais, vale a pena. A vista sobre a cidade é magnífica e poderão ainda visitar a Catedral de São Vito e a Rua de Ouro, ainda dentro das fortificações do castelo. (Se decidirem começar este dia ao contrário, podem fazer pontaria ao render da guarda - diariamente, ao meio-dia em ponto, junta-se uma multidão para ver a cerimónia protocolar).

Quando descerem, em vez de regressarem pela Karluv Most, virem à direita e façam esse passeio junto ao rio até à ponte seguinte. É uma zona muito artística, com alguns murais artísticos com décadas de existência, que vale a pena. Procurem pelo Muro de Lennon.

Vista de Petrín

Se acham que estão cansados, tirem daí a ideia. Está na altura de subir novamente até Petrín. Mas descansem: há um funicular que faz a ligação até ao topo, onde está a chamada «Torre Eiffel de Praga». Podem aproveitar para subir até ao topo e, aqui sim, ter a melhor vista sobre a cidade. Se souberem escolher a melhor altura do dia (cof, cof, pôr-do-sol), não se vão arrepender. É uma imagem que vos vai ficar na cabeça.

 

Dia 3

O terceiro dia costuma ser interrompido pelo voo de regresso por isso pode não haver tempo suficiente para grandes aventuras. No entanto, há várias sugestões que podem fazer sentido: regressem à zona ribeirinha e sigam para sul. A Casa Dançante é uma delícia arquitetónica que vos vai fazer dar nós na cabeça e, bastante mais longe e a pedir um transporte diferente – os pés já vão estar a pedir clemência – têm o Castelo de Vysehrad à vossa espera.