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Qui | 14.03.19

Nada pagaria tanto IMI no basebol como o estádio dos Giants

 

Começou por chamar-se Pacific Bell Park em 2000. Desde então já foi rebatizado três vezes: para SBC Park em 2004, para AT&T Park em 2006 e, no ano passado, para Oracle Park. Independentemente do nome, o estádio dos San Francisco Giants é um regalo para a vista e merece a visita. Mesmo que os bilhetes não sejam dos mais baratos na liga.

A vista é esplendorosa apesar do mau tempo

A modernidade trouxe um sabor insonso às infraestruturas desportivas. Já não me lembro bem onde li pela primeira vez que os novos estádios das fases finais de Europeus e Mundiais parecem sair todos do mesmo molde e deixou de ser possível identificar imediatamente em que ano foi um determinado jogo só pelo estilo da construção do estádio onde foi disputado.

 

Estádios ingleses, italianos, sul-americanos, de países de leste, norte-americanos pareciam ter sempre uma pegada inconfundível. Hoje, parece tudo mais do mesmo. São cobertos, aumentaram o conforto e são planeados rigorosamente para nos agradar, disso não há dúvida, mas perdeu-se a diferenciação.

 

Nos Estados Unidos está a viver-se isso no basebol também, mas persistem estádios que nos transportam para o antigamente e que trazem elementos diferenciadores. Se Fenway Park (Boston) e Wrigley Field (Chicago) se destacam naturalmente por serem construções da segunda década do século passado, o estádio dos San Francisco Giants, apesar de ser mais recente, é um mimo de se ver. E foi construído na baía de São Francisco, paredes-meias com a água e, dependendo da bancada, é possível ver a Bay Bridge, que liga a cidade a Oakland.

Um nome que já faz parte do passado

O estádio pode ser do século XXI mas tem um instinto antigo. E nós, habituados a ver as imagens pela televisão, não quisemos perder a oportunidade. Destacando-se pelos seus tijolos alaranjados, o estádio diferencia-se pela vista, pela bancada baixa do lado direito (em cima da baía) e… pela enorme luva que está ao lado de uma igualmente enorme garrafa de Coca-Cola do lado esquerdo.

 

Os bilhetes não foram baratos, a mais de 50 dólares por pessoa. O jogo com os Los Angeles Dodgers – eterno rival – logo no início da temporada não ajudou. Mas, apesar do mau tempo (choveu ligeiramente), compensou. E, verdade seja dita, era um dia especial.

 

O encontro pode ter começado às 19h18 de São Francisco mas em Portugal já passava da meia-noite. Foi o jogo do aniversário da Sarah. Desde que começámos a visitar regularmente os Estados Unidos, escolhemos quase sempre a semana em que faz anos. Já viajámos no próprio dia para Washington, já visitámos um famosíssimo bar de blues em Chicago e… vimos um jogo dos San Francisco Giants.

A vista do nosso lugar era esta

Na primeira viagem, em Washington, vimos um jogo no dia seguinte, e a Sarah teimou que queria uma bola batida por um dos jogadores. Estivemos mesmo perto, mas alguém se antecipou. «Nem te mexeste! Podias ter-te esforçado», acusou, realçando que fazia anos (mesmo sendo no dia seguinte) e que merecia uma prenda.

 

Ter boa memória tem destas coisas. Dois anos depois, no regresso aos Estados Unidos, não perdi a oportunidade em São Francisco e antecipei-me. Depois de chegarmos aos nossos lugares, disse-lhe que já voltava e fui direto à loja comprar uma bola. Foi assim que começou a tradição de comprar bolas de basebol em todos os estádios que visitamos durante as viagens.

 

Pode ter sido batota mas ficou contente. Mais ainda do que com o jogo em si. Não foi espetacular durante grande parte das duas horas e 58 minutos que demorou e, como é habitual, as atenções perdem-se entre conversas, como a que é mantida com o bebé que faz as delícias das últimas filas.

 

A tradição é assim mesmo. Levar uma criança de meses para um jogo de basebol tem sido uma constante por todos os sítios em que passamos. Mais ainda do que na NBA e no futebol americano, o basebol resiste como evento de experiência familiar, dos mais novos aos mais velhos.

Parede recorda grandes nomes de outros tempos

Dentro de campo, só o final foi espetacular. Até lá, contudo, tivemos inúmeras oportunidades para contemplar aquela vista fenomenal, que em Portugal seria mais do que motivo para elevar o valor a pagar do IMI. Nós não precisámos de abrir os cordões à bolsa. Não conseguíamos ver a ponte mas acompanhámos a baía durante o pôr-do-sol e foi impressionante, mesmo no meio da neblina e chuva que apareciam ocasionalmente.

 

Quando o jogo foi para extra innings (chamemos-lhe prolongamento), pensámos que a experiência pudesse vir a ser desconfortável. E se nunca mais saíssemos dali? Em outubro de 2018, houve um jogo da World Series que só terminou sete horas depois. Será que corríamos esse risco em 2016? Não… e foi impressionante.

 

Pela primeira vez, pudemos assistir a um walk-off home run. E o que quer isso dizer? Foi o que aconteceu quando um jogador dos San Francisco Giants atirou a bola diretamente para fora do campo, ali à nossa frente, e garantiu instantaneamente a vitória à equipa.

 

O basebol pode ser dramático e muda tudo numa questão de… um segundo. Num instante o pitcher dos Dodgers está a lançar a bola, no seguinte há mais de 40 mil pessoas a festejar exuberantemente a vitória contra o grande rival. E nós estávamos lá.