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Seg | 24.09.18

O voleibol foi a surpresa inesperada de Bucareste

 

Visitar Bucareste em fevereiro é uma aventura que pode não estar ao alcance dos mais friorentos. Mas nós, que inaugurámos as viagens juntos com uma Paris coberta de neve e com temperaturas negativas em janeiro, estamos habituados.

 

Estamos mais velhos e, talvez, mais vulneráveis ao frio. A coragem pode já não ser a mesma e a fatura no final do dia pode ser maior, mas não vai ser isso a desmotivar-nos se a viagem certa pelo preço certo surgir no… momento certo.

 

(Also available in English)

 

A primeira coisa que fiz quando decidimos marcar a viagem foi ir ver se alguma das equipas mais famosas de futebol em Bucareste jogava em casa. Com o Steaua e o Dínamo não tive sorte, mas o Rapid tinha um encontro marcado para o final da tarde. Mas o estádio era longe, não tinha sequer uma bancada coberta e, como já aprendemos no passado, é nestas situações que o frio mais se sente.

 Parlamento de Bucareste é um dos edifícios mais imponentes da Europa de leste

Tentei, sem muita pressão, convencer a Sarah mas percebi que era uma luta para a qual nem eu estava preparado. Pensei que iria ser uma viagem sem parte desportiva mas foi nessa altura, a jantar num hotel com vista para o imponente Parlamento, que fomos surpreendidos por uma equipa.

 

«Eles são mesmo muito altos. Têm corpo de jogadores de voleibol», disse a Sarah. Ali, enquanto comíamos, decidimos vestir a boina de Sherlock Holmes e perceber exatamente quem tínhamos à nossa volta. Confirmámos que eram jogadores de voleibol do Arcada Galati e, após uma teimosa pesquisa no telemóvel, chegámos à conclusão que iam jogar com o CSA Steaua Bucareste no dia a seguir… praticamente à mesma hora do jogo de futebol a que tinha pensado assistir.

CSA Steaua Bucareste vs. Arcada Galati

Descobrir exatamente onde era o jogo – o clube pertence ao Ministério da Defesa da Roménia e tem instalações espalhadas pela cidade – foi, ainda assim, o maior obstáculo mas, chegada a hora do jogo, lá estávamos nós.

 

Sem precisar de pagar bilhetes, apesar de um bem-disposto dirigente nos ter dito que precisávamos de desembolsar 50 euros para ir à casa de banho, assistimos ao duelo que tinha a liderança do campeonato em disputa. Silenciosamente, torcemos pelos nossos vizinhos de hotel e pelo brasileiro que tinham no plantel – apesar de durante muito tempo pensarmos que era outro jogador.

 

Perderam. E eles, tal como nós, tiveram de atravessar a noite de Bucareste para regressar ao hotel. Chegámos ao mesmo tempo mas houve uma diferença. Enquanto eles tiveram tempo para tomar um banho quente no balneário e regressar num transporte reservado, nós andámos mais de um quilómetro até à paragem de um autocarro público.

 

Do voleibol para a elite romena do desporto

 

O jogo entre o Steaua e o Arcada Galati não foi a única parte desportiva do fim-de-semana prolongado. Durante as nossas pesquisas, tínhamos percebido que havia um Museu Desportivo do Comité Olímpico da Roménia junto ao «Arco do Triunfo» de Bucareste. Fomos obrigados a fazer duas viagens – estava fechado no primeiro dia – mas valeu a pena.

Edifício moderno, feitos antigos

Afinal, o país tem uma grande tradição em Jogos Olímpicos e foi responsável por alguns dos melhores momentos da história. Como não podia deixar de ser, há uma pequena estátua de Nadia Comaneci, em homenagem à atuação perfeita em Montreal, nos Jogos de 1976.

 

O edifício é moderno e tem dois pisos, mas parece ligeiramente abandonado. Uma empregada garante a segurança das salas e explica-nos mais ou menos o que temos para ver. É um museu desportivo igual aos outros. Tem os melhores atletas, desde os pioneiros aos mais recentes, e conta-nos uma história com pormenores que desconhecíamos.

 

Há partes de equipamento que pertenciam às grandes figuras do desporto romeno e sentimo-nos assoberbados pela história. Para quem estava tão habituado a programar a componente desportiva de cada viagem ao pormenor, soube bem ser surpreendido e acabar a ver coisas que não nos tinham passado pela cabeça. Porque viajar também é isso: dar margem para nos deixarmos surpreender pelo inesperado.

 

PS: Por falar em surpresa, teve muita piada quando, oito meses depois, fomos ver o Sporting-Benfica em voleibol e estavam dois ex-jogadores do Arcada Galati em campo. Estava destinado.

 

 

 

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