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atlas de bolso

travel blog

Sex | 18.01.19

Quatro dias em Chicago

Perdoem-nos os que acham que uma viagem tem sempre de fugir aos clichés. Que ir a Chicago sem visitar o South Side é um sacrilégio e que nunca conseguimos ver a verdadeira cidade se não conhecermos as suas pessoas - e essas não estão na Mag Mile.

 

Por um lado, nós não gostamos de falar com pessoas - e por isso é que o California Zephyr se apresentou como uma experiência tão fora da nossa zona de conforto - e, por outro, Chicago tem muito para se ver no "beaten path" e o nosso tempo foi limitado. Desculpem-nos, então, por acharmos que ir ao Millennium Park nos traria felicidade (método KonMari aplicado a viagens) e que havemos de voltar e explorar os subúrbios da Windy City.

Lá ventosa, a Windy City é

Como já é habitual, estes dias são "light", um esboço para ser preenchido com outras coisas que vos interessem. Chicago tem alguns dos melhores museus do mundo - gostam de arte? O Art Institute of Chicago deve estar nos vossos planos; História natural é mais a vossa cena? Deem corda aos sapatos a caminho do Field Museum; as opções são imensas - estão na cidade que pode agradar a todos. Gostam de literatura? Não percam a oportunidade de sair um pouco do centro da cidade para ver a casa-museu de Ernest Hemingway.

 

Dia 1

 

No primeiro dia gostamos de fazer uma primeira aproximação à cidade. Para nós, em Chicago, isso significou: explorar o centro (o Loop da cidade, que corresponde também à linha circular de metro - o L - que circunda a área), perder umas horas no Riverwalk e comer Deep Dish Pizza.

 

A primeira é bastante óbvia: quase todas as cidades têm um centro que vale a pena visitar, nem que seja por uma hora. Em Chicago, é aqui que fica o Theatre District, uma série de instituições de jazz e blues e alguma da arquitetura mais impressionante. Imaginam estar numa cidade que parece ser igual a tantas outras mas serem constantemente surpreendidos pela passagem das carruagens de metro em pontes suspensas ao nível do segundo andar de um prédio? Este centro é tudo isto e muito mais.

Chicago Theatre

Façam também um pequeno desvio para visitar a Union Station. A estação de Chicago é uma das mais importantes dos EUA mas, além do mais, tem uma beleza e história inconfundíveis. Sejam ou não fãs do filme Os Intocáveis, serão capazes de conhecer a famosa cena do carrinho de bebé a cair por uma das escadarias da estação. O momento marcou o cinema (apesar de ser inspirado numa outra cena - escadaria de Odessa d’O Couraçado Potemkine de Serguei Eisenstein) e funciona como ponto de atração a fãs de todo o mundo.

 

Depois, o Riverwalk: a Windy City é uma cidade do rio, e do lago. As suas pontes históricas fazem parte da vida, e os arranha-céus que ladeiam as margens do rio, que também se chama Chicago, são uma grande parte da atratividade da cidade. O Riverwalk facilita o passeio, abre as portas do rio e é um espetacular pano de fundo para o que as viagens têm de melhor: o people watching. Para quem não gosta de andar, há uma opção muito recomendada: o Architecture River Cruise. Uma lição sobre a arquitetura da cidade, vista do rio, com todo o conforto de um cruzeiro - dura cerca de uma hora.

A Trump Tower é um dos mais emblemáticos edifícios de Chicago

A Deep Dish Pizza é uma instituição. Esqueçamos as competições sobre qual é o melhor estilo, e quão tradicional é não sei o quê. Não interessa. Em Chicago, têm de experimentar a Deep Dish Pizza (e, já que estamos nisso, façam favor também de experimentar o cachorro à la mode). Qual é a piada de ir a um sítio que tem um prato tão marcadamente seu sem o experimentar? Nós tivemos a sorte de ter companhia para jantar, que escolheu o sítio, mas há uma série de restaurantes na cidade famosos pela sua pizza gorda. Que se come em quadrados, já agora.

 

Dia 2

 

O segundo dia que passámos em Chicago correspondeu também, por acaso, ao meu dia de anos. Para festejar, aproveitámos para ir "jantar" a um histórico bar de blues, o Kingston Mines. Não dá para não recomendar - vejam no site quem toca nessa noite (aos domingos há jam nas primeiras horas) e tratem de ir até lá.

 

Antes, aproveitem o dia para passear em duas outras zonas muito turísticas, mas não por isso menos interessantes, da cidade. A Mag Mile (abreviatura de Magnificent Mile, e vão perceber porquê quando estiverem no meio daquele pseudo-luxo capitalista) corresponde a uma parte da N Michigan Avenue, onde se encontram as maiores e mais caras lojas. É uma artéria principal, está cheia de turistas e não sabe a verdadeiro, mas é imperdível. Ali podemos ver "os" carros de Chicago (antes de chegar lá não sabia sequer que eram uma coisa) e tudo o que de mais peculiar a cidade tem para oferecer.

 

O Millennium Park é também ponto de passagem obrigatório, seja para turistas ou locais. No dia em que chegámos, Chicago - conhecida como uma cidade pesadelo para se viver no Inverno - teve o seu primeiro dia de calor depois do frio. Há seis meses que os habitantes não despiam os casacos e os vinte e poucos graus que se faziam sentir, naquele dia do início de abril, criaram o caos. O ponto de encontro principal foi o Millennium Park, sobretudo junto da Cloud Gate (o famoso “Bean”) - é o sítio ideal para aproveitar o sol e o calor, passear entre as esculturas instaladas no parque e descansar nos bancos, ou na relva. É também, aparentemente, um local muito interessante para sessões fotográficas de casamento.

The Bean, ou The Cloud - feijão ou nuvem?

Bónus? Do outro lado da estrada está o Chicago Cultural Center - meio biblioteca, meio espaço de exposições, com um bocadinho de centro de conferências. Entrámos por acaso, à procura de uma casa de banho, e demos com duas maravilhosas exposições sobre arte e os movimentos civis em Chicago. As exposições vão mudando, mas vale sempre a pena entrar e ver o que está lá no momento.

 

Dia 3

 

Além de ser uma cidade para o rio, Chicago é, como vos disse antes, uma cidade do Lago - o Michigan. É enorme e tem praias, às vezes até tem ondas, e até pode parecer o mar, mas não é. Só que isso não lhe retira interesse nenhum. Nós aproveitámos o facto de estarmos perto da Oak Street Beach para começar, aí, um passeio pelo Lakefront Trail que, sem surpresas, segue a margem do lago ao longo de quilómetros. É um trilho muito concorrido por quem gosta de exercício, seja a correr ou andar de bicicleta ou qualquer coisa mais estranha, e oferece vistas espetaculares.

Chicago vista da Ocean Beach

Uma das paragens mais famosas é a Ocean Beach, muito perto do turístico Navy Pier - depois de Los Angeles, achámos que podíamos passar este à frente -, mas que também tem mesmo ali ao lado o Milton Lee Olive Park. Desportistas, reformados, adolescentes e donos de cães são só alguns dos que se apanham por ali.

 

Já a sugestão para a tarde é desportiva: começa pelo Chicago Sports Museum, no Water Tower Place. É estranho que o museu fique num centro comercial, mas esqueçam a localização e aproveitem o que tem para oferecer: uma série de exposições bem ricas sobre a história dos tradicionais "desportos americanos". A infame "foul ball" dos playoffs da MLB de 2003, ou o que resta dela, está lá. E, pelo caminho, podem testar as vossas competências como batedor de basebol ou quarterback de futebol americano.

A infame bola... no more.

Se quiserem continuar a vibe desportiva, assistir a um jogo dos Cubs, uma das duas equipas de basebol de Chicago, é uma boa opção. Um conselho: levem a sério as previsões do tempo e vistam-se adequadamente (vão poder ler tudo sobre a nossa experiência em Wrigley Field muito em breve).

 

Dia 4

 

Reservámos o último dia para "vistas", mas o meu conselho é que aproveitem para visitar a zona do Planetário e subir ao topo de um dos famosos arranha-céus num dia de céu limpo, se o tiverem.

 

A minha primeira sugestão, então, é para que se ponham a caminho do Planetário, com uma paragem pelo Grant Park. Além de os parques serem sempre fixes, este tem uma escultura (Agora) que vale a pena visitar. Com miúdos, percam uns minutos a jogar às escondidas por entre aquelas pernas gigantes.

A vista de Chicago

Continuem então para este, a caminho do planetário: vão passar pelo Aquário, pelo Field Musem e, um bocadinho mais longe, pelo Soldier Field (estádio onde jogam os Bears). Continuem até conseguirem e, lá mesmo no finzinho, para lá de todos os museus, vão ter uma das vistas mais espetaculares para a cidade. Afinal, é também pela sua linha de horizonte que Chicago é conhecida.

 

Finalmente, e porque o texto já vai longo: vejam Chicago de cima. Os dois melhores locais para o fazer são o Skydeck (na Willis Tower) e o 360 Chicago (no antigo John Hancock Center e que está sempre a mudar de nome).

Chicago vista de cima

O primeiro tem aquela coisa absolutamente aterradora que são as "caixinhas" de vidro que saem da lateral do edifício e vos permitem ter a cidade a vossos pés. Só com uma plaquinha de vidro a segurar-vos, estão a ver? O segundo tem aquela outra coisa absolutamente aterradora que é uma lateral inteira do edifício, em vidro, que se inclina, para vos dar a sensação de estarem deitados sobre a cidade. Enfim, façam a vossa escolha. Para nós, foi o 360 Chicago e, não experimentando essa coisa de que os pesadelos são feitos, recomendo imenso. Fiquem durante algum tempo para absorver os ritmos da cidade à vossa frente: bónus é verem a que horas é o pôr-do-sol e porem-se lá em cima a tempo de o apanharem (os bilhetes comprados online têm 10% de desconto).