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atlas de bolso

travel blog

Qui | 21.03.19

Quatro dias em Los Angeles

 

É fácil cair no erro de acreditar que não se consegue aproveitar verdadeiramente Los Angeles sem alugar um carro. Compreendendo as vantagens, é possível poupar muitos dólares horas passadas no infame trânsito angelino e, mesmo assim, visitar o essencial da cidade com recurso ao metro (sim, ele existe e está cada vez melhor) e aos autocarros. Da downtown a Hollywood, dos eventos desportivos à tarde em Santa Monica, passando por um pôr-do-sol no Griffith Observatory, o leque de soluções é vasto e promete seduzir-vos.

No meio dos canais de Venice

Vamos começar pelo… início. Um ponto de partida essencial é o sítio que escolhemos para ficar a dormir. Neste capítulo, mesmo que seja ligeiramente mais caro, ficar na downtown poderá vir a render muitos frutos nas movimentações durante os dias seguintes. É um lugar central, com acessos de autocarro e metro para praticamente todos os sítios de interesse. Se for esse o objetivo, vai valer muito a pena. Ali ao lado, Chinatown é outra opção bem servida de transportes e acessos.

 

Um dia pela downtown

 

A downtown é também um excelente local para começar a viagem e chega para ocupar um dia inteiro. É aqui que vão encontrar as raízes da cidade, no monumento de El Pueblo de Los Angeles, e a famosa Olvera Street. Não muito longe, praticamente do outro lado da estrada, fica a Union Station. Diferente de muitas das estações de comboio principais do país, cheira a «quente» e a antigo. Palco de inúmeros filmes ao longo das últimas décadas – ou não estivesse em Los Angeles – vale a pena a visita, mais não seja para beber alguma coisa e saciar a fome.

 

A paragem seguinte deve ser o Los Angeles City Hall. É um edifício bonito e histórico, mas o mais interessante é mesmo subirem no elevador até ao último andar. Aí, vão não só poder tirar fotos num palanque como se fossem políticos de elevado prestígio como – e isto é o mais importante – apreciar uma vista magnífica. Se o tempo ajudar – raramente chove mas pode não haver muita visibilidade – é de ficar boquiaberto.

#Sarah2020?

Los Angeles pode ser vista como uma cidade plana mas a downtown tem as suas pequenas subidas que tornam as caminhadas mais difíceis. Mas vale a pena. Da City Hall até ao Walt Disney Concert Hall é uma subida significativa, mas compensa ver a arquitetura do edifício e, quem sabe, dar uma vista de olhos lá dentro.

 

A partir daqui o resto será mais simples. Continuando para sudoeste, passarão pelo Grand Central Market, perfeito para almoçar e retemperar energias para o resto do dia, antes de seguir para o Staples Center, a cerca de dois quilómetros. Se houver jogos dos Lakers, Clippers ou Kings, perfeito. Caso contrário, não deixa de ser uma boa oportunidade para ver a casa onde Kobe Bryant brilhou ao mais alto nível. À entrada, as estátuas não deixam esquecer as glórias do passado. Ah, ali perto podem também fazer uma visita ao Original Pantry Cafe, famoso por nunca ter fechado nem ter estado sequer sem pelo menos um cliente desde a abertura em 1924. Nós ficámo-nos pelas panquecas e waffles mas há mais opções.

 

Outra alternativa, mas aqui mais a norte, perto do sítio onde começaram o dia, é ver um jogo de basebol no estádio dos Dodgers, o maior dos Estados Unidos desta modalidade. Em dias de partida, há autocarros gratuitos que saem com regularidade da Union Station.

Estádio Olímpico de Los Angeles

Se não forem fãs do desporto presente mas quiserem ter uma vista de olhos sobre o do passado, apanhem um autocarro ou o metro até ao Estádio Olímpico onde, em 1984, Carlos Lopes conquistou a primeira medalha de ouro de Portugal. Há referências às edições acolhidas (1932 e 1984) e está perfeitamente integrado no campus universitário de USC. É também, atualmente, a casa dos LA Rams, do futebol americano.

 

De Hollywood ao Griffith Observatory

A imagem diz tudo

Muitos acreditam que é impossível dissociar Los Angeles de Hollywood. É lá que os sonhos são feitos e milhões de aspirantes tentaram a sua sorte durante décadas e décadas de cinema. Naturalmente, o local está apinhado de espetáculo a cada passo que dão, e é possível encontrar inúmeras referências de filmes – como a da igreja do Do Cabaré para o Convento, ao prédio em que Richard Gere subiu pelas escadas de incêndio para reconquistar Julia Roberts em Um Sonho de Mulher.

 

Se preferirem ficar mais no coração de Hollywood, podem sempre visitar o Dolby Theatre, a passadeira da fama e o pequeno espaço repleto de marcas de mãos das maiores figuras do cinema mundial. Entre museus, visitas guiadas e outras opções, só precisam de escolher o que pretendem fazer para potenciar ao máximo a visita. Se quiserem comer alguma coisa, recomendamos os gelados da Ghirardelli, claro.

Para terminar o dia, talvez seja uma boa opção encontrarem uma forma de chegar ao Griffith Observatory. Com um planetário e exposições científicas interessantes, é a vista sobre todas as «pequenas» cidades da área metropolitana, a downtown e o sinal de Hollywood que vos vai conquistar. Para saberem mais, basta lerem o que já escrevemos sobre uma tarde perfeita aqui.

Griffith Observatory

 

Dia de praia… e para descansar

 

Venice e Santa Monica são dois sítios obrigatórios de Los Angeles (apesar de, tecnicamente, já se situarem forem da cidade). Se até há uns anos – nós ainda sofremos com isso – não era tão fácil lá chegar de transportes (até era, mas só de autocarro), hoje a linha de metro já se expandiu e há uma estação em Santa Monica.

 

Aproveitem. Os norte-americanos não parecem gostar muito de usar o metro e o serviço é bastante agradável, especialmente para quem não viaja de tempo contado. À saída, o Santa Monica Pier é um fiel retrato de tudo o que imaginamos. Simbolizando o fim da famosa Route 66, podemos encontrar uma montanha-russa, lojas e mais lojas e opções para comer. Isto tudo enquanto nos perdemos por um horizonte infindável de areia e torres de vigia que nos fazem lembrar David Hasselhoff, Pamela Anderson, Yasmine Bleeth, David Charvet e companhia (sim, fãs de Baywatch, isto é para vocês!).

Santa Monica Pier

O passeio marítimo até Venice pode ser longo, mas recomendamos. Podem passar pela Muscle Beach, pelos courts de basquetebol, pelos skaters e pelas lojas que vendem todo o tipo de t-shirts, tatuagens e, às vezes, até consultas médicas de marijuana. Cada novo trecho de praia tem um ambiente distinto que vão querer absorver.

 

Não percam a oportunidade de sentir os pés envolvidos pela areia e, claro está, molharem o corpo no Pacífico. Afinal, não é uma das imagens que temos sempre da Califórnia?

 

Explorar os limites do metro

 

Quatro dias não são suficientes para ver e fazer tudo o que Los Angeles tem para oferecer. Poderão tentar fazer compras na Rodeo Drive, andar pela Mulholland Drive ou ir até Malibu, ou mesmo apostar num programa cultural e visitar o divertido (nas redes sociais, sobretudo) e recomendado LACMA (Los Angeles County Museum of Art).

 

Ou, em sentido contrário, podem deixar Los Angeles para trás e seguir numa das linhas de metro que só termina em Laguna Beach. Tem muito do que tem Los Angeles mas em formato mais pequeno. Famosa pela corrida de IndyCar, tem praia, zonas ribeirinhas para passar a tarde e uma estrada repleta de palmeiras que torna impossível qualquer ideia de trabalho a sério. Se estiverem quase a regressar de férias, pode ser um excelente sítio para esgotarem os últimos cartuchos e ficarem com a sensação que me invadiu das duas vezes que estive em Los Angeles.

 

«Não sei se gostei, mas acho que quero voltar. Sinto que ficou muita coisa para ver.»