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atlas de bolso

travel blog

Sex | 01.03.19

Quatro dias em São Francisco

Rui Pedro Silva

 

Qual é a primeira coisa que vos vem à cabeça quando pensam em São Francisco? Somos todos diferentes mas acredito que a esmagadora maioria possa pensar na famosa Golden Gate Bridge. Sim, é impossível ir a São Francisco sem ver a ponte, nem que seja à distância, e nem é preciso ser muito aventureiro para ir mesmo até ao tabuleiro – exceto se sofrerem de vertigens como a Sarah.

Não lhe peçam para se aproximar mais

Ver a ponte e perceber São Francisco estão diretamente ligados. Já ouviram falar no Karl? O Karl é o nome carinhoso que os habitantes dão ao nevoeiro que é uma presença constante na baía. Por isso, estejam sempre à espera que os vossos planos saiam furados. Mantenham-se atentos à meteorologia, deem flexibilidade ao vosso guia e (se conseguirem) apostem na visita num dia de céu limpo.

 

Atenção: a paisagem com o nevoeiro – especialmente se não estiver muito denso – consegue ser espetacular, vista da baía junto a todos os cais, sobretudo no Fisherman’s Wharf, mas se quiserem ir de facto até à ponte é melhor terem um cuidado redobrado. Por outro lado, o cartão de visita às vezes pode ser apreciado logo à chegada, se forem de avião e dependendo da rota. Nós tivemos sorte: chegámos a São Francisco vindos de norte e sobrevoámos a ponte, com uma vista fabulosa sobre uma cidade que ainda não conhecíamos. Foi o aperitivo perfeito.

 

Explorar os transportes públicos e jogar na antecipação

 

São Francisco é uma cidade cara e encontrar um alojamento bom numa zona central é uma tarefa complicada. No nosso caso, escolhemos um AirBnB perfeito no Mission District, uma zona residencial tranquila e com transportes públicos regulares para a zona mais movimentada.

 

A cidade não é propriamente amigável para estar constantemente a caminhar (vocês vão perceber porquê) – há momentos certos para isso mas convém ter sempre uma alternativa válida – por isso a nossa sugestão é apostar num passe de sete dias. Basta fazer o download no telemóvel e mostrar a aplicação ativa sempre que entramos num transporte público, seja autocarro ou elétrico.

Alcatraz é uma experiência única

O trabalho de casa também é uma parte muito importante da visita a São Francisco. Para quem, como eu, cresceu com filmes e sucessivas referências a Alcatraz, a visita à antiga prisão é uma obrigação moral. O problema é que os interessados são tantos que a reserva antecipada não só é recomendada como é obrigatória. A nossa sugestão? Assim que garantirem que vão a São Francisco, pesquisem logo sobre a reserva. Vale bem a pena e entrou para o meu top de coisas a fazer nos Estados Unidos.

 

O barco que faz a viagem entre São Francisco e Alcatraz sai do Pier 33, mais ou menos a meio da zona plana que vai da Bay Bridge (ponte que liga São Francisco a Oakland) até à Ghirardelli Square. Se, por exemplo, começarem o dia em Alcatraz, é muito recomendável que se mantenham por esta zona durante o dia.

 

Podem começar na ponta junto ao Ferry Building, que tem um mercado para vos abrir o apetite, e ir percorrendo todo o caminho, cais a cais, até à Ghirardelli Square, onde estão os famosos chocolates (então quando se juntam a gelado, e já agora a caramelo, são uma perdição!) junto a uma praça com uma vista privilegiada sobre a baía, Alcatraz e a Golden Gate. Há vários elétricos que fazem a ligação: podem não ser muito rápidos, nem regulares, mas pelo menos ajudam a poupar os pés.

A atração animal de São Francisco

Coisas que não podem mesmo perder neste trajeto? O Cais 39, famoso pelos restaurantes, lojas e… pelas dezenas de focas e leões marinhos que descansam nos suportes de madeira, e o Musée Mechanique, uma espécie de parque de diversões à antiga, com tudo a 25 cêntimos. Conselho: reservem uns quarters e divirtam-se durante bastante tempo.

 

Explorar as colinas e as vistas impressionantes

 

Se as pernas apresentarem – naturalmente – a fatura de um dia com tanta caminhada, podem e devem explorar as vantagens dos transportes públicos para conhecerem as atrações que ficam entre colinas. Sim, os elétricos podem não ser uma enorme novidade para portugueses, mas a experiência de subir uma das ruas mais inclinadas de São Francisco com grande parte do corpo de fora é imperdível.

 

Se quiserem fazer da zona dos cais o ponto de partida, um primeiro destino natural é a Coit Tower, uma torre com uma vista privilegiada sobre toda a cidade. Por si só, pode não ter muito para oferecer, mas a paisagem compensa e vale muito a pena.

Uma das muitas vistas da Coit Tower

Daí, poderão ver também a famosa Lombard Street, a rua de poucos metros mas muito inclinada e com constantes curvas apertadas. É um mimo para os olhos mas um desastre para quem a deseja fazer de carro. Tanto assim é que, no dia em que a descemos a pé, tinha o trânsito cortado por causa de um acidente. Entre destinos, podem também aproveitar para dar um pulo na Chinatown e aproveitar para visitar o vizinho bairro italiano, sem esquecer a passagem pela famosa livraria City Lights Booksellers.

 

Depois, se se quiserem afastar da zona mais central, têm dois destinos imperdíveis: as Painted Ladies, com um parque ótimo para descansar e tirar fotografias, e Twin Peaks, onde podemos realmente apreciar esta cidade cheia de colinas, inclinações e ruas muito íngremes.

 

Com a Golden State sempre no horizonte

 

É impossível esconder a excitação no dia em que finalmente se decide ir à Golden Gate e, ao sair de casa, o tempo parece perfeito. Sim, é claro que o tempo em São Francisco é sempre muito volátil, mas apanhar uma manhã de sol e com céu limpo é tão promissor que nos faz esquecer do resto.

 

Em vez de irmos diretos à Golden Gate, optámos por uma linha de «guilty pleasure», em que estaríamos sempre perto da ponte mas com outros passos a tomar pelo caminho, e é esse o traçado que sugerimos. Começámos por uma visita discreta e rápida ao Golden Gate Park e depois apanhámos um autocarro que nos deixou perto de uma zona residencial – muito rica – perto da Baker Beach.

Baker Beach é um paraíso fotográfico

Ora bem, a Baker Beach é “a” praia. Assim que começam a ver a areia, com a ponte em plano de fundo, o vosso cérebro dá pulos de êxtase. É um momento mágico quando finalmente percebem que a realidade acompanhou os desejos e estão finalmente num local que tantas vezes imaginaram no passado e que durante grande parte da vossa vida nunca pensaram que iriam realmente estar lá.

 

O problema? Finda a excitação e as inevitáveis sessões de fotografias, o caminho (a pé) até à ponte ainda é longo. Os quilómetros vão pesar nas pernas mas a cada curva, a paisagem parece reforçar-se, com árvores, flores e pássaros a invadirem o cenário da ponte, promovendo vistas inesquecíveis umas atrás das outras.

 

Chegados à ponte, contudo, a magia perde-se um pouco (desde logo porque a Sarah tem vertigens e não pondera sequer a hipótese de pisar o tabuleiro). O local está naturalmente apinhado e há ofertas de vários tipos, desde comida, lojas de recordações e umas placas ilustrativas de como foi a construção da infraestrutura.

Palace of Fine Arts também é um bom sítio para descansar

Quando esgotamos as alternativas, apanhamos um novo autocarro – os transportes públicos nunca nos falham – e vamos à procura de mais um destino que há muito está na nossa lista: o Palace of Fine Arts. Se cronometrarem o vosso dia ao pormenor, poderão também dar um pulo ao The Wave Organ e ouvir a «música» que as marés oferecem.

 

Outras coisas no menu

 

São Francisco tem um montão de coisas que agradam a gregos e troianos. Fora desta nossa "rota", mais simples, há muito para ver: a Market Street é uma das artérias principais da cidade e, por isso mesmo, onde estão concentradas a maioria das lojas de grandes cadeias. O Museu de Arte Moderna de São Francisco (fechado para obras quando lá estivemos) fica a dois passos, e qualquer museu que tenha exposições dedicadas à pop art, com Lichtenstein no cardápio, tem o voto da Sarah. Também na zona fica a Union Square, uma praça que podia ser muito banal se não tivesse uma exposição muito fora do comum: os corações de São Francisco.

 

No Mission District têm uma série de parques ótimos para relaxar; no vizinho Castro podem perder-se um dia inteiro à procura dos locais mais emblemáticos de várias lutas por direitos civis (e de passadeiras pintadas com as cores do arco-íris). Em Bernal Heights podem encontrar outras *daquelas* vistas sobre São Francisco.

 

O inevitável menu desportivo

 

O desporto faz sempre parte dos nossos planos e a zona de São Francisco-Oakland tem imenso para oferecer. Nós tivemos a sorte de, fazendo a viagem em abril, conseguir uma dose dupla em Oakland logo no primeiro dia completo da viagem.

 

O BART levou-nos de São Francisco até lá e tínhamos dois jogos à espera: ao início da tarde o jogo de basebol dos Athletics; ao início da noite a partida entre os Golden State Warriors (a caminho do recorde de vitórias na fase regular) e os San Antonio Spurs.

 

A distância entre o estádio e o pavilhão não chega, sem exagero, aos 50 metros. É perfeito para doses duplas como a nossa e para ter uma dose extra de desporto numa viagem. Por outro lado, também não quisemos perder a oportunidade de, um dia mais tarde, visitar o estádio dos San Francisco Giants (também de basebol).

Jogo dos San Francisco Giants em dia de chuva

Tem a fama de ser um dos estádios mais bonitos nos Estados Unidos e… é justo. A vista sobre a baía é impressionante, com a água a começar a dez metros de uma das bancadas exteriores, e as próprias cores tornam a experiência mais agradável.