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travel blog

Seg | 07.10.19

Tóquio em dois dias – guia para arranhar a superfície

Tóquio já está a preparar-se para os Jogos Olímpicos de 2020

Não há forma de fugir à capital japonesa numa primeira visita ao Japão, e a verdade é que, mesmo que por mais nada, a dimensão de Tóquio nos manteria ocupados durante dias a fio. Infelizmente, na nossa viagem só tivemos dois dias – e apesar de ter sabido a pouco, é o suficiente para conhecermos vários “lados” da cidade.

Dia 1 – Templos e Modernidade

Antes de nos atirarmos de cabeça pela Tóquio dos néons, das multidões e do tráfego, comecemos por ter uma ideia geral da cidade. Um ótimo sítio para o fazer é o Government Building – tem um observatório gratuito no 45.º andar e, apesar de poder ter algumas filas (cheguem cedo) é um bom ponto de partida para tirar as medidas à megametrópole que alberga mais de nove milhões de pessoas.

Vista aérea de Tóquio

Outra vantagem é que está perto de várias zonas de interesse na cidade: se os pés estiverem preparados para a caminhada, ponham-se a caminho do Templo Meiji, um oásis de verde no meio de Shibuya (uma zona mais conhecida pelo famoso cruzamento) e aproveitem para entrar num estado zen antes de enfrentarem as multidões que vão encontrar na rua Takeshita, a nossa próxima sugestão.

É uma rua bastante pequena, pelo menos para os padrões de Tóquio, mas tem provavelmente a maior concentração de pessoas por metro quadrado que vimos por aquelas bandas. Repleta de lojas de moda, cafés e restaurantes, parece ser o local e eleições para adolescentes japoneses – e é uma experiência que não terão noutro local.

É também uma boa zona para almoçar, com uma série de opções – mais, ou menos, tradicionais. Com vários restaurantes espalhados pela cidade, uma das nossas sugestões é a cadeia de restaurantes de takoyaki (umas fantásticas bolinhas de massa com polvo) Gindaco, que tem uma loja em frente à estação de Harajuku. A verdade, no entanto, é que a comida em Tóquio está muito perto de ser excecional em muitos locais, por isso parem no sítio que vos parecer melhor.

Takoyaki com queijo e mentaiko

Depois de alimentados, ponham-se a caminho da estação de Shibuya, que ali ao lado tem o cruzamento mais famoso do mundo. Tenham em atenção que a passadeira diagonal não está sempre caótica, mas é uma experiência que vale a pena – e, ao longo do dia, começa a estar cada vez mais concorrida. Depois de termos (cof cof, o Rui ter) subido ao topo do edifício Magnet onde, por 300Y, têm acesso ao observatório, descobrimos o Shibuya Parlor (no sétimo andar do mesmo edifício), um ótimo sítio para uma sobremesa ou um lanche enquanto observamos a confusão lá em baixo. Aprovadíssimo.

Toda a zona de Shibuya é um ataque aos nossos sentidos, mas é o melhor sítio para absorver – rapidamente – a atmosfera de consumo rápido e elétrico que Tóquio (também) tem. Vale a pena passar ali um par de horas para descobrir os seus recantos, fazer umas compras e, como gostamos tanto, fazer people watching.

Vista de Shibuya com parfait de chocolate

À noite, sugerimos que sigam para Akihabara (claro que, dependendo do sítio onde estão alojados, poderá fazer mais sentido alterar a ordem deste dia): realmente, é contra o céu escuro que os painéis publicitários em néon ganham vida, é à noite que os anúncios aos cafés peculiares e aos videojogos se destacam mais, é depois de o sol se pôr que se torna mais fácil imaginar os “viciados” da eletrónica a encontrar, por aqui, o seu chamamento.

Akihabara é um bairro que não devem deixar de visitar por parecer tirado dos filmes, mas também por causa da comida maravilhosa que podem encontrar: diz-se que é a zona por excelência da “comida de qualidade B” – longe das estrelas Michelin, é comida simples, acessível e deliciosa.

Dia 2 – O charme antigo de Tóquio

A nossa sugestão para o segundo dia é que comecem por explorar os Jardins do Palácio Imperial – afinal, a cidade não é só a enorme metrópole moderna em que pensamos automaticamente. O Palácio está inacessível a visitantes (é a residência oficial do imperador), mas os jardins merecem um passeio, seguido da exploração da zona exterior à fortificação (onde se destaca a ponte Seimon). A forma de termos um vislumbre de quando Tóquio ainda era Edo, e não eram os arranha-céus a paisagem à nossa frente.

No Palácio Imperial de Tóquio

Daí até Ginza, a zona mais rica da cidade, é um pulinho. Trata-se de um bairro verdadeiramente bonito e que, apesar de transpirar classe alta, não afasta os pobres de nós que não estão dentro dos seus parâmetros e tem algumas lojas ótimas para souvenirs. Ao fim-de-semana, a Chuo Dori, a maior avenida da zona, é fechada ao trânsito e torna o passeio ainda mais agradável. Sugestão se a fome apertar? A nada tradicional, mas absolutamente deliciosa cadeia de restaurantes A Happy Pancake tem um restaurante na zona, e as panquecas valem a pena. A espera, no entanto, pode levar mais de uma hora – sugerimos que vão até ao restaurante, “tirem a senha”, perguntem o tempo de espera e saiam para explorar as ruas circundantes, antes de voltarem para se refastelar.

Uma rápida viagem de metro (ou comboio) transporta-nos de Ginza até Ueno, mas é como se fôssemos até outra cidade. Muda a atmosfera, mudam as pessoas e muda até a aparência dos edifícios. Apesar de ser o local onde encontramos o jardim zoológico (e uma série de museus que talvez explorássemos com mais tempo), são os seus lagos e charcos, bem como o Templo Shinobazunoike Bentendo, que nos atraem até àquele outro “pulmão” da capital japonesa. No meio do rebuliço, conseguimos voltar a estar num sítio onde os prédios estão “ao longe” e o ruído não é o dos carros ou das lojas, mas das pessoas.

Há água ali por baixo

Perto (à distância de uma caminhada de alguns minutos ou de uma estação de comboio) fica o bairro de Yanaka – o meu preferido em Tóquio. Tinha lido sobre esta zona que “conservava o charme antigo de Tóquio” e não podia estar mais de acordo. Um passeio pelas suas ruas e ruelas até chegar ao cemitério que é a sua grande atração devia ser obrigatório para todas as visitas à capital. Não apressem a visita e esqueçam os mapas durante alguns minutos, para poderem apreciar uma cidade antiga dentro da ultramoderna Tóquio.

Finalmente, sugerimos que terminem o dia – e a curta passagem por Tóquio – em Asakusa: é uma zona que vale a pena visitar a qualquer hora, mas ao anoitecer ganha um encanto especial, já que tem várias ruas completamente cheias de restaurantes e um mercado que vos vão permitir experimentar um pouco de tudo. O templo Sensoji e a zona circundante são mais bem aproveitados com uma réstia de sol, mas a partir daí, deliciem-se. E, se ficaram compras por fazer, aproveitem a magnífica Don Quijote.

Asakusa