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atlas de bolso

travel blog

Qui | 04.04.19

Três dias entre Riga e Tallinn

 

Três dias raramente são suficientes para ver a sério duas cidades, ainda mais quando se trata de duas capitais - mesmo que pequenas, mereciam mais que isso. Mas às vezes é só isso que temos, e um fim-de-semana grande passado por lá vale a pena de qualquer maneira.

Riga e Tallinn - o que andámos a fazer?

Se algum dia vos calhar a mesma sorte, ou se tiverem mais tempo mas quiserem saber por onde começar, aqui ficam as nossas dicas para passar um dia e meio em cada uma das pérolas bálticas que visitámos.

 

Um dia para explorar o centro de Riga

 

O Parque Bastejkalna é uma boa opção para arrancar, se quiserem virar as costas ao normal - que seria começar pelo centro histórico da cidade. Mas essa é exatamente a razão para sugerirmos isso: a maior parte dos turistas vai fazer o percurso inverso, e podem ganhar alguns minutos mais calmos ao inverter a ordem.

 

O parque ocupa as margens do canal que separa o centro da cidade das suas "avenidas novas" e merece a visita. Há um monte de recantos por explorar, cada um com o seu encanto especial, e, quer dizer, nunca ninguém deu o seu tempo como perdido num passeio por um parque bonito, certo?

Um passeio no parque é a melhor forma de começar a manhã

Ali ao lado encontram o Monumento da Liberdade de Riga, um obelisco que homenageia os soldados mortos durante a Guerra de Independência da Letónia. Se não lhe derem mais crédito, fica pelo menos a "photo op" e um piscar de olho àquela que deve ser a vossa paragem seguinte: o Museu de Ocupação da Letónia.

 

Nós somos uns fáceis em tudo o que diga respeito a história do século XX, por isso não podíamos passar ao lado deste museu que nos leva a perceber um bocadinho mais da história de um país que foi ocupado sucessivamente por soviéticos, nazis e soviéticos outra vez - com mais umas porradas pelo meio. Uma introdução fascinante à história política recente da região. (A morada da exposição permanente é Raiņa bulvāris 7, e não a que o Google Maps mostra se procurarem pelo museu)

 

Quando saírem, se não tiverem já dado por ela, vão ver claramente a Catedral Ortodoxa de Riga, com as suas espetaculares cúpulas douradas. Se for o primeiro exemplo desta arquitetura que veem - como foi para mim - não há como impedir o fascínio.

Catedral Ortodoxa de Riga

Atravessar o rio de volta vai levar-vos ao centro da cidade. Se o passeio começou de manhã, esta será uma boa altura para parar e almoçar, antes de seguir caminho até aos Três Irmãos, um conjunto de edifícios que representam os primeiros projetos de habitação na cidade, com datas de construção e estilos distintos.

 

Estão agora em pleno centro histórico de Riga, e é fácil de perceber. A cidade é bonitinha, mas o seu verdadeiro encanto está nos pormenores: veja-se a Casa dos Gatos, por exemplo. O nome é explicativo. Aproveitem para passear, enveredar por ruas e ruelas e acharem que se perdem - a verdade é que o centro é tão circunscrito que isso dificilmente vai acontecer.

 

A caminho da Igreja de São Pedro vão passar pelos edifícios da Grande Guilda e da "House of Blackheads", antigo ponto de encontro para a união dos mercadores, armadores e estrangeiros não casados, entre muitos outros. E depois verão a Igreja que, não tendo nada de absolutamente excecional em si, vos dará uma nova perspetiva da cidade: podem subir parte da torre e, do alto dos 72 metros da plataforma de observação, ver para além dos limites da capital.

Vista de Riga

Por termos visitado no Outono, o frio (e a noite precoce) matou-nos nesta altura, mas se por acaso forem até lá numa altura mais convidativa para andar na rua, a nossa sugestão seria rumarem às margens do Rio Duína Ocidental e verem o pôr do sol das suas margens.

 

O mercado e uma introdução a Tallinn

 

Tendo em conta que a viagem entre Riga e Tallinn dura cerca de quatro horas, de autocarro, o dia dois deste fim-de-semana alargado fica consideravelmente reduzido, mas ainda dá para aproveitar.

 

Para nós - e porque a estação central fica mesmo ali ao lado - isso significou fazer o checkout do nosso hotel e seguir para o Mercado Central de Riga, o maior mercado da Europa e incluído nas listas de Património Mundial da UNESCO em 1998. Além de (para quem gosta, que no nosso caso é só um de nós) ser sempre giro passear no meio de mercados de outros países, que nos permite fazer uma espécie de curso intensivo inicial na cultura local, tem comida maravilhosa, e muito barata.

 

Uns metros mais à frente fica a Academia de Ciências da Letónia, um edifício que grita "ocupação soviética", construído à semelhança das Sete Irmãs que Estaline erigiu em Moscovo. Um contraste incrível com os edifícios bonitos, de estilo muitas vezes gótico, que salpicam o centro de Riga.

 

Academia das Ciências de Riga

É tempo então de nos metermos no autocarro e atravessar a fronteira para a Estónia. Infelizmente em Tallinn a estação não é a meros passinhos do centro, mas a verdade é que há sítios piores para isso acontecer: os transportes são fantásticos e, em menos de nada, damos connosco a fazer check-in e largar as malas no hotel.

 

Se já leram uma coisa ou duas sobre as nossas viagens, estão a estranhar a falta de desporto até aqui. Nada temam! Conseguimos arranjar uma viagem que apanhava em cheio o fantástico Estónia-Gibraltar, em futebol, de qualificação para o Mundial da Rússia. Desta vez eu fiquei de fora - metade pelo frio, metade por uns problemas de saúde que me chateavam na altura - mas o Rui ocupou a sua tarde/noite a ver o grande clássico do futebol europeu. E eu, como boa pessoa, acompanhei-o até ao estádio e vim acompanhada de volta com uma camisola da seleção.

 

Um dia para explorar Tallinn

 

Se não fizerem mais nada em Tallinn, tratem de não deixar de lado estas duas coisas: uma visita ao Museu do KGB e um almoço no Kompressor.

Num dos (ventosos) miradouros de Tallinn

Caso tenham mais tempo - e, convenhamos, é provável que tenham mais algumas horas - sugerimos que comecem por explorar a zona de Toompea, a mais alta da cidade. Um aviso: pode ser ventosa. Por ser uma zona alta, tem uma série de plataformas de observação com vista privilegiada sobre a cidade - a de Piiskopi é uma das melhores.

 

Ainda no alto fica a Catedral de Alexandre Nevsky, mais um espetacular exemplo da arquitetura religiosa ortodoxa, construída no final do século XIX. Todo o bairro, com alguns dos edifícios mais antigos encontrados na cidade, merece um passeio demorado e pausas para absorver o ambiente da cidade. Tenham em conta, no entanto, que ao fim-de-semana em Tallinn fica a abarrotar de turistas/bêbedos/jovens vindos da Finlândia, de barco, para um par de dias "a viver barato".

 

Catedral Ortodoxa de Tallinn

Quando a fome apertar, a paragem obrigatória deve ser o Kompressor: um restaurantezinho que afinal não é tão pequeno assim, do qual mal se dá conta quando se passa por ele, e que serve uma versão de crepes/panquecas XXL maravilhosas, e ao preço da chuva. Nós cometemos o erro de pensar que podíamos comer um crepe salgado e uma sobremesa cada um. A não ser que sejam o Hulk, amigos, acho pouco provável que isso vá acontecer. Entrem, ponham-se na fila para pedir ao balcão e depois tentem arranjar um lugar para sentar enquanto esperam. No nosso caso, a espera foi curta - mas acho que mesmo que fosse longa, valeria a pena.

 

Estão a dois passinhos das portas da cidade, nomeadamente a Porta Viru, que fazia parte do sistema de muralhas que protegia Tallinn - algumas secções ainda são visitáveis. Muitas vezes, nessa zona, está montado um pequeno mercado com produtos agrícolas, souvenirs e muitas flores. É também aqui que se concentram a maior parte dos turistas - é que a subida a Toompea não é para todos ,- por isso não ficámos muito tempo.

 

O nosso destino final estava mais à frente, dentro do Hotel Viru - o hotel abriu nos anos 70 e era propriedade da Intourist, a agência de turismo russa. Com um bocadinho de imaginação - ou não tanta assim - percebem por que alberga, hoje, o Museu do KGB. Só se consegue visitar com reserva (através do site do hotel), num dos tours com hora marcada, e é uma experiência que não terão em mais lado nenhum. Vale todos os 11 euros do bilhete (esse escândalo de preço!).

Vista de Riga do Museu do KGB

Se ainda conseguirem espremer mais do dia, o Báltico está mesmo ali à mão de semear: e quem não fica feliz por ir conhecer outro mar?