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Sex | 25.01.19

Um aniversário no meio de blues em Chicago

Kingston Mines é sinónimo de blues em Chicago

Não dou muita importância aos meus anos. Há bastante tempo que as festas com amigos deixaram de ser costume, e tenho muitas outras ocasiões para jantar com a minha família. Não sinto necessidade de estar presente, e chateia-me solenemente o toque constante do telemóvel.


Junta-se isto tudo à "vontade de comer" e, nos últimos anos, tenho tentado fazer os possíveis para estar sempre fora do país nessa data: não por querer estar fora "a festejar", mas por não querer estar ao alcance de uma chamada gratuita. Tenho sempre uma desculpa perfeita para não atender, ou não responder a mensagens.


Mesmo lá fora (e o lá fora tem sido sempre nos Estados Unidos), não é costume ser dia de festa. Claro que como um docinho, mas quando vou de viagem e não faço anos também nunca o dispenso, portanto não é por aí. Se houver jogo naquele dia, há jogo naquele dia. Se não houver, vai-se para casa porque no seguinte há muito para ver.


Em 2017, a peregrinação levou-nos a Chicago e, pela primeira vez, houve uma espécie de "plano de aniversário": íamos a um bar de Blues. Escolhemos aquele dia meio por ser o meu dia de anos, meio por ser domingo e haver entrada gratuita para a jam session no Kingston Mines, que começava às seis da tarde.

Linsey Alexander conduziu a sessão

O bar é uma instituição da cidade. Tem uma história mais antiga que isso, ligada à companhia de Teatro Kingston Mines, mas surgiu como bar de blues em 1982, quando se mudou para a localização atual em Lincoln Park, no norte de Chicago.


Todos os dias tem pelo menos dois espetáculos, tem uns fabulosos aros de cebola e, naquele dia de abril, quem lá esteve foi apresentado a outra instituição da cidade: Linsey Alexander. O septuagenário, que há mais de duas décadas faz parte do panorama musical da cidade (e tocou com nomes como Magic King ou B.B. King) deu o mote para a sessão de improviso e, com o filho (adolescente) fez as delícias dos que por ali se juntavam.

 

E não eram poucos: a cada minuto havia mais gente a entrar naquele espaço, muitos deles carregados com instrumentos. Afinal, vinham ali não só para ver e ouvir, mas para fazer parte do espetáculo, para mostrarem os seus dotes. O único requisito era: tocar blues.


Aquela é uma experiência imperdível em noite de aniversário ou noutra qualquer: não é à toa que continua, ano após ano, a receber prémios de melhor bar de blues de Chicago. (E mesmo se não gostarem de blues... vão pelos aros de cebola.)