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atlas de bolso

travel blog

Sex | 28.09.18

Uma escala em Miami passada no Museu do Hambúrguer

Isto de fazer viagens não é fácil. Que o diga a minha cabeça, quando começou a pensar no que havia de fazer numa "escala" de quase oito horas em Miami.

entrada do Museu do Hambúrguer em Miami

Vamos por partes: para garantir o melhor preço até Nova Orleães, separámos a nossa viagem em duas partes. Primeiro, voámos de Lisboa a Miami e depois, independentemente, de Miami para Nova Orleães. Ora, isto significou que qualquer atraso no primeiro voo, ou na alfândega, ou na imigração, podia dar asneira - não tínhamos segurança nenhuma.

 

(Also available in English)

 

Sem querer arriscar mais do que o necessário, decidimos que a melhor ideia era garantir que entre a chegada prevista a Miami e o voo para Nova Orleães passava... um montão de tempo, não há outra forma de o dizer. Iam ser sete horas e meia (mais uns pozinhos, porque o voo chega normalmente antes da hora marcada) para sair de um avião, passar por todos os controlos, fazer o que quiséssemos, voltar a passar na segurança e chegar a tempo para o embarque no segundo voo.

 

Isto tudo, claro, com uma viagem de oito horas, e cinco fusos horários de diferença, nas pernas. 

 

A primeira ideia era ir para o centro da cidade e ali passar umas duas ou três horas (dependia de quanto tempo demorássemos a chegar) a passear. Rapidamente foi descartada, porque tínhamos toda a nossa bagagem connosco - nós gostamos da coisa de não despachar malas, é verdade, e aproveitámos para fazer isso mesmo e pagar menos - e esperávamos muito calor. 

 

Logo depois, decidimos que íamos até ao Five Guys almoçar. Era um plano simples: ir até à zona de Wynwood, almoçar e voltar para trás. E estávamos (eu pelo menos estava) plenamente convictos que era o plano que íamos seguir. Só não contámos chegar a Miami sem fome e demasiado cansados para um viagem de autocarro que podia aproximar-se dos 50 minutos. Para cada lado.

 

Foi só no aeroporto que decidimos trocar os planos. Eu tinha lido, algures, um texto que falava sobre opções para escalas longas no aeroporto de Miami. Uma das sugestões parecia mesmo a nossa praia: um Museu do Hambúrguer, ali muito perto do aeroporto. Mencionei-o ao Rui e, pronto, estava decidido.

 

Malas às costas, bilhetes de autocarro comprados e, em menos de nada, estávamos no Magic City Casino, às voltas para encontrar o tal Museu. Não sabíamos o que esperar, e portanto também não sabíamos o que procurar. O que não faria mal se não estivéssemos a derreter no parque de estacionamento de um casino gigante. Valeu-nos, na verdade, o facto de ser tão grande que há um shuttle que anda às voltas a levar as pessoas dos carros até à porta do casino - deu-nos uma boleia até ao local onde demos com uma portinha, bastante disfarçada, de uma loja de gelados. Ao fundo, estava a entrada para o nosso museu.

O Wendy's é uma das cadeias representadas no museu

O Burger Beast Museum é do tamanho de uma grande sala, não mais do que isso. Alberga a coleção do "food blogger" Burger Beast, que se tornou obcecado com artefactos relacionados com hamburguerias e outras cadeias de fast food depois de ter recebido uma placa do extinto Burger Chef. Depois de anos a colecionar e manter as coisas em casa dos pais e no escritório, recebeu um convite para expor a coleção no Magic City Casino - e assim chegámos ao museu que temos hoje, e que juntamente com a Wall’s Old Fashioned Ice Cream Shop, contém mais de 3000 objetos.

 

Para nós, muitas cadeias e restaurantes mencionados no museu são desconhecidos. Sim, conhecemos o McDonalds, o Burger King e o Arby's, mas nunca ouvimos falar do Burger Castle, por exemplo, que até tem uma relação com o White Castle (e aí o Rui lembra-se do pior filme que viu na vida, que é precisamente sobre a aventura de dois amigos à procura de um hambúrguer de madrugada). O que não nos impede de ficar com muita vontade de conhecer todos aqueles sítios - e de comer àqueles preços, já que muitos dos artefactos mostram menus com décadas de vida.

Menu presente no museu

A entrada (10 dólares *mais* impostos, lembrem-se desse pormenor) vale os minutos passados lá dentro a descobrir as relíquias de um mundo que, apesar de familiar, está muito distante de nós. E a conversa com um dos amigos do dono, que está "a dar uma mãozinha", que nos fala do amigo português que tem uma empresa de turismo sustentável (chama-se João, mas experimentem lá perceber um americano a dizer esse nome) e nos diz quais os seus hambúrgueres preferidos. "Em termos de cadeias de fast food, acho que o meu preferido é mesmo o Wendy's. E aquela história de não congelarem a carne, que eu sempre achei que fosse marketing... é mesmo verdade e faz diferença."

 

Apropriadamente, há um do outro lado da estrada. E depois da fome crescente com que ficamos ao passear pelo museu, é mesmo lá que vamos parar. É que o hambúrguer é mesmo bom.